sexta-feira, 30 de abril de 2010

Nostalgia de Mãe IV


E eu tô pensando no post do pós-parto dos meninos e nem sei por onde começar. Eu gosto de falar, de escrever, falo muito e rápido, quando o meu marido chega em casa e eu falo: “Você não sabe o que aconteceu hoje!” ou “sabe o que eu tava pensando?”, a resposta dele sempre é: “Cá, resume...”. Pois é, mas para as mães, contar histórias e gracinhas dos filhos, ou como foi a gravidez e o parto, nunca é fácil resumir, concordam? Então, vou começar pelo o que considero o meu começo e, se vocês quiserem, podem ler linha sim, linha não, mas garanto que vão perder detalhes mega-master importantes, viu?!

Em uma consulta de rotina com o meu ginecologista, conversamos sobre milhares de coisas, ele fala de política, futebol, restaurantes, vinhos, conta “causos”; consulta rápida, apressada e protocolar não faz parte da agenda dele. Por essas e por outras, ele é tão querido e especial. Bom, naquele dia, falamos sobre os tratamentos para fertilidade, a clínica dele faz esse tipo de trabalho, e ele foi muito enfático quanto às gestações múltiplas decorrentes dos tratamentos: “o corpo da mulher não foi preparado para gerar e carregar mais de um bebê, a gravidez múltipla é sempre de risco.”

Ok, fim de papo, da consulta, tudo em ordem comigo e com os meus exames. Fui para casa.

Um mês depois, de férias, descobri que estava grávida novamente, feliz da vida, comemoramos. Volta das férias, consulta com o médico, gravidez confirmada, ele me pediu o ultrasom. Logo no primeiro, gravidez de cinco semanas, constatamos sem a menor dúvida que eram dois bebês e já soubemos que eram univitelinos, ou seja, idênticos. O médico conseguiu ver isso, pois havia apenas uma membrana de sei-lá-o-que, significando uma única placenta. (Podem corrigir, se eu estiver errada, mas me lembro que alguma coisa apontou para uma placenta).

O exame acabou após o meu ataque de riso e o meu marido em estado de choque, de boca aberta por quase 10 minutos, mas estava tudo bem e normal com os bebês.

Saindo do ultrasom, me lembrei daquela consulta. Da gravidez de risco. De que o meu corpo não estava preparado para carregar gêmeos e eu sabia que a minha ansiedade, o medo do risco duraria o quanto durasse a minha gravidez, o máximo de tempo possível que eu conseguisse carregá-los, isso se não acontecesse nada antes. Não me perguntem o que é esse “nada”, porque eu não gosto nem de lembrar o que se passava pela minha cabeça diante dessa novidade. O temor de que algo ruim pudesse acontecer era muito maior do que o susto e a surpresa de ter e criar dois filhos de uma vez. Quer presente e benção maiores do que esses dois molequinhos???

E eu peguei o telefone e liguei no celular do meu médico para contar, eu só queria que ele me acalmasse, que não é tanto risco assim, que ficaria tudo bem. Ele foi fofo, mas não poderia me iludir, dizendo que no MEU caso seria diferente, me acalmou, acolheu como sempre e ressaltou que eu deveria ter mais cuidados, mais repouso, mas que conversaríamos melhor na próxima consulta.

As consultas foram acontecendo normalmente, o pré-natal foi ótimo, sem intercorrências ou sustos, tudo bem normal e tranqüilo. Apenas precisei tomar umas injeções de cortisona para acelerar o desenvolvimento dos pulmões dos meninos , caso eles fossem prematuros. O “caso” já me agoniava e eu teria tomado todas as injeções das farmácias do bairro, mas não foi necessário.

A maior curiosidade que descobri a respeito dos gêmeos foi a questão de uni e bivitelinos. No nosso caso, uni, trata-se de um único óvulo que, por algum motivo não explicado pela medicina, se divide igualmente e gera dois bebês idênticos. O médico falou que era puro “acaso” e com o acaso a gente não briga e não discute. Era pra ser. E foram. E são Joaquim e Pedro, que não poderiam ser Joaquim ou Pedro. Não sei o que seria da minha vida ou da nossa família com um ou outro. Impossível, não existe.

Voltando à curiosidade, os bivitelinos são dois ou mais óvulos. Podem ser gerados através de inseminação ou tratamento, ou quando a mulher, no momento da ovulação, libera mais de um óvulo. Nesse caso, os bebês múltiplos são sempre diferentes, parecidos como irmãos, mas jamais idênticos. Univitelinos têm sempre o mesmo sexo, os bi, não. Portanto, fica a dica, se encontrar uma família com gêmeos idênticos, não são frutos de tratamento e inseminação, mas gêmeos diferentes, hummmmm, desconfie e seja discreta, muitos pais que fazem tratamentos não gostam de sair por aí contando as dificuldades que enfrentaram para engravidar.

E a gravidez foi caminhando normalmente, a minha vida a um milhão por hora, toquei a obra do nosso apartamento novo, cuidei dos muitos pepinos, da Manuzinha que nem andava, fiz a mudança 15 dias antes dos meninos nascerem, abri as caixas, desembalei as coisas, arrumei a casa, subi na escada para organizar armários, tentei arrastar o sofá, mas não me deixaram.

As consultas com o médico passaram a acontecer duas vezes por semana e, em uma sexta feira, ele me disse que “chega, pode ir para o hospital amanhã. Você está cansada, os bebês com peso e tamanho excelentes, já deu.”

E naquela noite eu não dormi. Na manhã seguinte, eu não tomei nem o chá sem açúcar que o médico recomendou como café da manhã leve. Fui eu, meu barrigão, meus 18 kg extras, três malinhas e o meu marido para a maternidade.

Logo, na triagem, o primeiro susto: só um coração batia. Nada da enfermeira achar o outro coraçãozinho. Procurou, procurou, o meu coração batia por nós três, mas nada. O tal do coração era o do Pedro, esmagadinho embaixo do Joaquim espaçoso (desde sempre, filho!), depois encontrado. Mas aquela procura pela batimento cardíaco durou uma eternidade e eu entendi que era a hora, chega mesmo, vamos conhecer logo esses gêmeos idênticos, que dividiram (de forma injusta, viu seu Joaquim?!) o espaço da minha barriga por 37 semanas e 4 dias. Falo isso porque os médicos disseram que o Joaquim estava bem, lindo e formoso lá dentro, mas o Pedro tinha um espaço muito reduzido na minha barriga, foi prejudicado e já estava prontinho para vir ao mundo e a todos os colos daqui de fora.

Como se não bastasse, o dia determinado pelo médico para a cesárea era uma data meio cabalística, favorita das numerólogas. E ficamos horas em espera para liberarem uma sala de parto. Acharam até que estavam nos fazendo um favor e nos agradando por terem nos colocado em uma salinha com sofazinho, TV. Ficamos com toda a equipe médica assistindo aos jogos olímpicos. Eu nunca gostei de olimpíadas, naquela situação então, nada mais detestável! Enorme, cansada, ansiosa, com a camisolinha de abertura nas costas, pelamordedeus, façam o meu parto logo! Me internei às 9 da manhã, o parto durou uma hora e os meninos nasceram às 13:45h, deu para perceber a espera mais longa do mundo...

E tudo correu bem, cesárea sem sustos, sem novidades para uma mãe de segunda viagem, a diferença foi receber dois pacotinhos nada diferentes de gorrinhos azuis... Um mais lindo que o outro, mesmo sem eu conseguir saber quem era o um e quem era o outro naqueles primeiros momentos de vida.

E foi aí que as coisas começaram a acontecer. Durante o período de observação, comecei a ter um mal-estar, enjôo, tontura e muito frio. A enfermeira foi chamada, checou a pressão e estava 6 por 3. Os médicos, que estavam pegando o carro no manobrista, foram chamados de volta, perceberam que era grave, se trocaram e ficaram ao meu lado até a hora em que tudo estava normalizado e controlado. Só subi para o quarto às 8 da noite.

E, para resumir, (depois de quase três páginas, Camila??) tive uma hemorragia grave, se não me engano o nome é “atonia uterina”, que significa que a musculatura do útero foi muito forçada durante a gravidez, eram 2 bebês enormes, Joaquim nasceu com 3,2kg e o Pedro com 2,4kg. Os movimentos normais seriam contrações uterinas para que fosse voltando ao seu tamanho normal. Mas o meu “esticou” tanto e não conseguia voltar sozinho. Sabe um elástico que estica tanto, mas tanto e aí fica bem maior do que era, sem elasticidade nenhuma? Prazer, útero da Camila. Que quase foi retirado, caso não parasse a hemorragia. Outra opção? Transfusão de sangue. Nada disso precisou ser feito, foi tudo controlado com soro, uns 8 litros.

Ganhei de presente um inchaço maior do que o da gravidez, uma anemia e uma cara de fantasma ambulante.

Mas outro dia, eu estava conversando sobre parto normal e cesárea com alguém e falei: “Olha, não precisa ter medo de cesárea, eu fiz duas e foi tudo tão maravilhoso, uma recuperação excelente, tranqüila”. O meu marido interrompe: “O que?? Esqueceu que você quase morreu de hemorragia depois do parto?”. Pois é, esqueci. Completamente. Dizem que se a gente não esquecesse da dor de parto, jamais teria outro filho. E isso vale para todas as dificuldades enfrentadas como mãe e pai. A gente esquece, porque o que vem depois é tão, tão bom, que o ruim fica até bobo.

E eu me esqueci de falar do pós-parto propriamente dito. Mas não vou esquecer em um próximo post, prometo, novamente de roupãozinho branco, que agora combinava com a cara de fantasma ambulante!

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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um pouquinho de cada um!



Ontem foi o dia do supermercado, odeio com todas as minhas forças, mas não dá para pular. Enfim, uni a necessidade de uma escova de dentes nova para os meninos à preferência quase que obsessiva do Joaquim por tudo o que é azul. Tudo o que vê nessa cor, fala: “azul, azul”.
Encontrei uma escovinha azul do Barney. Mal sabia eu o que estava fazendo... A alegria do rapazinho ao ver a escova nova se compara a da minha irmã, completando 7 anos, quando viu o castelo da Cinderela na Disney pela primeira vez: “Mãe, me belisca!”.

E ele quase trocou a Naninha pela escova na hora de dormir...

*****

Hoje, logo pela manhã, recebemos uma encomenda especial acompanhada do seguinte cartão:
Para os meus bisnetinhos. Meus queridos, não sei se estão boas, mas com as jabuticabas , vai o meu amor. Vovó Célia
A Vovó Célia nem precisa de apresentações, pelo cartão e pela encomenda já sabemos que é uma bisavó muuuuito querida e carinhosa, manda frequentemente as jabuticabas mais deliciosas do mundo para as crianças.

Hoje elas estavam especiais e as crianças se lambuzaram na hora da sobremesa.
O Pedro está na fase de gostar muito de jabuticabas. Quando viu o seu pratinho cheio com as frutinhas, ele pegou uma na mão e até fez carinho nela. Comeu tudo, chupando a casca até não sobrar nenhum caldinho. E falava:
- Mais!
- Mais o que, filho?
-“ Caquicaba”!
Tem mais fofo?

*****

E a Manu, malandrinha, espertinha, aprendeu a pular do berço. Sério. Coloquei ela para dormir e fui jantar. Uns minutos depois e ela aparece na sala. Ontem, entrou no berço para pegar a chupeta e a Bunnyinha, já que com as mãos através da “gaiola” (como ela chama as grades do berço), não estava alcançando.
Acabou o sossego. Já era pouco, agora.... menos ainda!

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Da série: O meu filho preciiisa disso I

A partir do momento em que nos descobrimos grávidas e começamos a pensar em organizar a vida para a chegada do bebês, um ponto de partida para pesquisa, idéias e dicas é, sem dúvida, a internet e sua maravilhosa ferramenta chamada Google. Bom, daí, a gente se perde em taaaantas coisas e opções, nem precisa explicar muito, todo mundo sabe como é.

Tem sempre o útil e o fofo-fútil e eu me confesso fã desses pequenos "mimos". Por isso, vou inaugurar uma nova série aqui: "O meu filho preciiisa disso!".

Para a Manu, a minha princesa cor-de-rosa!



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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Especial para gêmeos


Mães de gêmeos: preparem-se para ver muuuita fofura e grandes idéias.

Infelizmente, só para ver... Tem cada coisa legal, mas ainda não disponível para o Brasil. De qualquer forma, vale a pena dar uma espiadinha, se inspirar e ficar morrendo de vontade.

Quem sabe até planejar uma viagem para renovar o enxoval??

"A marca espanhola Tot-a-Lot chegou para revolucionar a vida das mães de gêmeos. A ideia é bem divertida: fazer roupas e acessórios que passem longe do famoso "par de jarro".

A espanhola Lourdes Ferrer largou a advocacia para fazer moda. Porém, quando ficou grávida de gêmeas percebeu a mesmice que reinava por aí. Daí, teve a (grande) ideia de abrir uma loja especializada (sorte a nossa!).

O bacana é que as roupinhas não são iguais e, na realidade, se complementam. Por exemplo, o desenho de um burro fica dividido em duas peças de roupa: enquanto a cabeça fica em uma, o rabo fica em outra (foto). Também tem frases engraçadas como "Twice upon a time" ou "Twice in a while". Atenção especial ao saco de dormir em forma de quebra-cabeça - é o máximo!

Mais: tem dicas de livros e sites que falam sobre gêmeos. Clica - é tão gracioso que vale até para quem não convive com pequenos."


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Nostalgia de Mãe III


Ok, atendendo a pedidos, vou contar dos meus pós-partos, assunto que já me deixa inteira arrepiada de lembrar, ai...

Três filhos, duas cesáreas e dois pós-partos, belo currículo de mãe, não acham? Vou contar tudinho!

A minha primeira cesárea, quando a Manu nasceu, aconteceu exatamente no dia em que completei 40 semanas, como eu não entrei em trabalho de parto, não tive contração ou dilatação, o meu médico optou pela cesárea, não quis esperar. E, depois de conversar com muitas mães e grávidas, entendi que isso não passa de uma abordagem da medicina obstetrícia, cada médico segue uma linha, considerando os riscos da espera pelo parto normal para a mãe e o bebê.

Eu tinha pânico só de pensar em um parto normal e também não gostava de considerar uma cesárea, mas as coisas que deveriam acontecer, não aconteceram, por isso me internei na data combinada e o meu médico realizou a cesárea. Tudo rápido, tranqüilo, meu maridinho ao meu lado acompanhando tudo e a minha filha veio ao mundo sem me mostrar o que é dor de parto. Até hoje não sei o que é isso, o que considero um presente. Soube de uma amiga da minha mãe que falou que parto humanizado pra ela é com bastante anestesia, rápido e indolor. Também faço parte dessa turma.

Passada a emoção do nascimento da minha primeira filha, de pegá-la no colo pela primeira vez, de ver a sua carinha, a família ali do outro lado da janelinha (capítulo à parte, difííííícil de escrever, de explicar o que é isso que a gente sente quando se torna mãe!).

Chego no quarto da maternidade, doida para tomar um banho, colocar um dos pijaminhas do meu enxoval (mãe também precisa de enxovalzinho, viu?!), mas nada disso, a recomendação médica era de quase 24 horas deitada, em dieta líquida e com uma sonda fofa, o que não passava de uma precaução por conta da cirurgia e da anestesia. E eu lá com aquela camisolinha medonha do hospital.... ela não era só horrorosa, ela também tinha uma abertura nas costas, sabe o tipo? Que facilitava a hora em que o médico e das enfermeiras viessem me examinar. E tinha que facilitar mesmo, porque toda hora vinha alguém me virar do avesso, parte chata, bem chata...

Então, só me restava ver a minha barriga nova, eu passava a mão e me achava magrinha, barriga lisinha, quase pronta para brincar na praia de biquíni com a minha filhinha. Ai, que engano, ai, que decepção! Engordei 20 kg durante a minha primeira gravidez e logo após o nascimento da Manu, havia perdido apensa 6 kg, como assim??? Assim. Simplesmente. O biquíni veio uns 6 meses depois, com ajuda de ginástica e amamentação.

Bom, eu não pretendo ficar aqui contando das manobras que o nosso corpo faz para retomar o que era no período “não-grávido” (quem não conhece ainda, deixo descobrir essas “maravilhas” por conta própria no momento certo) e as que precisa fazer para receber o bebezinho, amamentá-lo e tudo o mais. São coisas muito pessoais, percebidas de maneiras absolutamente únicas e que exigem muita adaptação da mãe e do bebê. Passado esse período, eu curti muito amamentar, tinha leite de sobra e só parei, porque a Manu não quis mais. Daí, eu tirava o leite na bombinha e dava na mamadeira, até a hora em que ele acabou mesmo e passamos a consumir NAN desenfreadamente.

E, no dia seguinte ao parto, uma enfermeira fofa como a sonda, veio me trazer café da manhã às 5 e meia da manhã, porque eu precisava comer antes de levantar para tomar banho. Ótimo, o banho de esponjinha tinha acabado, mas precisava ser tão cedo? E a comida tão ruim? E o banho tão rápido que nem pude lavar o cabelo? “É para evitar a tontura, você passou por uma cirurgia e ficou muito tempo deitada”, dizia a fofinha que veio me “visitar” e cuidar de mim de madrugada...

Uns minutinhos depois da fofinha ir embora, eu de pé, ainda meio curvada (os pontos dooooooem e dá medo de esticar a coluna e estourar tudo), mas já no meu estado elétrico normal, fui tomar outro banho. Maridinho na porta do banheiro (eu assumo: tive medo da tal da tontura), tomei quase que um banho de princesa. Com direito a lavar, secar o cabelo e até passar uns creminhos. Sim, e tomei bronca da queridinha, quando ela veio me “visitar” novamente, mas eu estava feliz da vida e nem liguei.

Apesar dos incômodos e de todas as adaptações, o meu estado era de alegria total. De roupãozinho e protetor para aqueles sutiãs belíssimos de amamentação, curti muito a minha filha, na maternidade e em casa. Todo mundo me dizia que eu deveria aproveitar os momentos em que ela dormia, para descansar também. Mas não dava! Era muita “eletricidade”! Eu ficava exausta amamentando à noite, ficava olhando o relógio do quarto da Manu durante as mamadas e rezava para a hora passar rápido, porque bebezinhos recém-nascidos mamam na velocidade de uma tartaruga, quase meia hora de cada lado, só depois que eles pegam o jeito e aceleram o ritmo.

Esse post acabou ficando enorme, eu sinto que não contei nada e ainda falta um pós-parto... Cenas para um próximo capítulo, combinado? Este vai ser um pouco mais “assustador”, não é promessa, é verdade. Mas eu conto!

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terça-feira, 27 de abril de 2010

Nostalgia de Mãe II


Então eu me lembro de permanecer internada no quarto dos meninos, as necessidades e os cuidados todos me tomavam o dia inteiro. Banho, mamadas, cólicas infinitas (esse assunto merece um capítulo à parte, do tipo longo), colocar para dormir, não quer dormir, cólica de novo, outra mamada... uma maratona, ou melhor, duas! Melhor ainda, três!
O meu banho durava 1 minuto e 45 segundos, as minhas roupas revezavam-se entre um roupão branco e outro também branco com bolinhas rosa. Sim, é bem mais fácil vestir um roupão, a gente mal tem tempo para escolher uma roupa que nos sirva nessa fase horrenda do pós-parto (outro belo capítulo, de rir e chorar).
Daí, depois de um tempo, a Manu entendeu que aquela era a nova rotina da casa, pior ainda, a minha rotina, as minhas obrigações, de modo que ela passou a me sinalizar que não gostava nada daquela história. Não foi difícil entender, afinal, cada vez que eu ia entrar no quarto dos irmãos, ela se agarrava às minhas pernas e berrava “NÃÃÃO!”. Precisava ser mais clara?
E o meu coração apertava, os três precisavam de mim de maneiras tão diferentes... e entendi que tinha chegado a hora de equilibrar todos esses pratinhos direito. É verdade que eu tive muita ajuda, quando chegavam os finais de semana, especialmente os de folga da babá, a minha mãe ou a minha sogra davam uma forcinha com a Manu, para ela sair daquela “bebezada” e passear. Mas aquilo também me doía horrores, afinal, achava que a função era minha. A responsabilidade de cuidar dos meus três filhos, passear com eles, era MINHA! Hoje chego até a achar isso uma besteira, tem coisa mais deliciosa do que passar um fim de semana na companhia da avó? Mas, na minha cabeça recém-parida-cheia-de-hormônios-malucos, delegar era muuuuito difícil, ainda mais pra mim, que sempre fui muito centralizadora e controladora.
Reuni forças sem medir esforços para planejar uma rotina razoável de atenção aos três: acordava cedo, cuidava dos meninos, entrava num banho, punha um vestidinho soltinho báááásico e saía com a baixinha. Tomamos muito café da manhã na padaria, passeamos muito na pracinha e, devo confessar com a maior alegria do mundo que ela foi, e ainda é, uma super companhia para aqueles programas e compromissos em que eu poderia levá-la. Sim, os filhos nascem, mas a vida continua, o supermercado e todas aquelas tarefinhas e pepininhos do dia-a-dia ainda precisam ser feitos...
E a verdade é que a rotina vai mudando, o tempo das crianças também, suas necessidades, eles crescem muito rápido, de repente tá todo mundo brincando junto no chão, fazendo a maior bagunça! As calças jeans voltam a nos servir, as batinhas de malha vão praticamente para o lixo, o banho é coletivo e, na hora de sair, a mamãe chama: “vam´bora, turminha, que o elevador já chegou!”. E eles saem andando e se empurrando em uma fila meio duvidosa, os meus três pituquinhos...

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Da série Nostalgia de Mãe I


Eu já me confessei meio nostálgica e essa sensação parece não passar nunca. Então, resolvi inaugurar aqui uma série "nostalgia de mãe", para eu ficar lembrando, relembrando, rindo, chorando o tanto de coisas que já aconteceu no pouco tempo de vida das crianças.

Quando nasce um filho, ou o segundo e terceiro, o tal do clichê “das alegrias e dificuldades sem fim” não se esgota jamais. E, é sério, tenho saudades sim, de muitas coisas. Mas eu estava justamente relembrando o momento do nascimento do Joaquim e do Pedro e o que eu enfrentei com a Manuzinha. Às vezes nem sei como chegamos até aqui, “dificuldades sem fim”...

Ouvi de uma amiga da minha prima, que já tinha dois filhos, a seguinte frase: “a sua vida muda realmente com a chegada do segundo filho!”. Verdade verdadeira, acreditem em mim, mães de filhos únicos. Cuidar de um é quase como brincar de casinha, eu juro!

Mas, como eu estava falando, nunca vou me esquecer da carinha da Manu quando entrou na maternidade pela primeira vez para conhecer os irmãos. Ela lançou a mim e ao Papai o seu olhar tão conhecido e característico de braveza pura, flagrou-nos cada um com um dos meninos no colo e parece que não gostou do que viu.

Ela estava numa fase de computador, vivia querendo mexer no nosso e em todos que visse, então compramos um laptop cor de rosa para ela “ganhar” dos irmãozinhos recém-nascidos. Laptop cor de rosa no colo, momento devidamente registrado, mas aquele nunca se tornou o seu brinquedo preferido, nunquinha. E, a partir daí, as tais das chupetas, que eram só usadas durante a noite, tornaram-se os acessórios mais importantes e utilizados por ela o dia inteiro (ouvi alguém falar “Freud explica”?).

Agora quem explica é a própria Mamãe, que viu, ou melhor, ouviu falar que a Manu aprendeu a andar na manhã em que os meninos nasceram. Chegou para visitá-los na maternidade andando de vestidinho, toda lindinha, com uma expressão que me dizia que era melhor começar a andar já, senão ela ia ficar pra trás. Dó, dó, muita dó!

Chegamos em casa da maternidade, o coração quase voando pela boca de tanto nervoso do “e agora? Como faço com três???”, mas fui lá dar uma espiadinha na Manu, que estava dormindo e olhei a minha filha com o bumbum pra cima no bercinho, ela parecia enorme, um bebezão, uma menina, a minha mocinha, que não era mais filha única, era a irmã mais velha de dois bebezinhos gêmeos... Que responsabilidade!

E, pela primeira de muitas vezes, ela me mostrou que não é tão mocinha assim, e que a responsabilidade é minha e do Pai dela: “resolveu” ter febre na primeira noite dos meninos em casa. Eu me lembro do meu sogro ligar na manhã seguinte e perguntar como tinha sido à noite. Com um nó na garganta e uma sensação de desespero, contei que as crianças estavam acabando comigo. Eles tinham acordado à 1 da manhã, às 3, às 5 e às 7. Ah! E a Manu teve febre....

Até hoje penso nessa questão de ser mocinha, de autonomia e independência. Sou super a favor de incentivar e estimular todos esses aspectos para as crianças, considerando a idade deles, obviamente. Mas a gente tem que tomar cuidado, prestar atenção no quanto eles “agüentam” e conseguem realizar. Tenho certeza de que essa febrinha foi um sinal disso e de que eu recebo “sinais” semelhantes quase que diariamente.

Quando a gente fala que a criança “regrediu” na ocasião do nascimento de um irmão ou irmã, penso que a regressão é um comportamento decorrente da mudança de posição de filha/filho único, para ser o mais velho. Você acha que é fácil?

A chegada de um filho exige que uma mãe e um pai também devem nascer, sobrevivência pura. Mas a gente sabe disso, a gente gera um bebezinho por nove meses, o pai sente o bebê chutar na barriga, “atura” a grávida, ou seja, a gente se prepara para isso. Claro que nunca estamos preparados, ninguém sabe como é até receber aquele pacotinho do obstetra e levá-lo para casa, mas a gente sabe... De uma forma ou de outra, sabe. Só não conhece ainda a caixinha de surpresa que o pacotinho também é.

E o tal do filho único? Que da noite para o dia vira irmão mais velho? A tarefa dele é quase tema do “Missão Impossível”. Mudar de papéis e ter de assumi-los é das coisas mais recorrentes na vida, mas toda mudança requer adaptação e “balança as estruturas”. Eu tenho isso como um mantra, para todas as vezes em que a Manu me pede a chupeta (até hoje!) ou imita o jeitinho de bebê que os irmãos falam para pedir alguma coisa...

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