segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tic-Tac


Futebol aqui em casa é coisa seria. O tipo do compromisso que compete com nascimento e aniversário de filho, sééééério.

A Manu, com umas 24 horas de vida, foi pé quente para um jogo importante do São Paulo (ah! Esqueci de mencionar que esse é o time do coração? Então, é o SPFC).

Ainda bem que ela nasceu um dia antes do jogo, senão... Não gosto nem de pensar!
Mas assistimos ao jogo na maternidade, Manu pacotinho mamando e as visitas básicas deram um respiro por 90 minutos. Maridinho agradeceu e comemorou bastante.

E, praticamente, toda quarta feira, é dia, né? Essa semana, teve jogo no Morumbi. O meu marido veio cedo pra casa, as crianças acordadas, fizeram companhia enquanto jantávamos e, depois, era a hora do papai se arrumar e sair para o jogo.

Os três também adoram fazer companhia para ele nesse momento: se fecham no meu quarto, ficam conversando e ele se aprontando. Organizado que é, deixa todas as coisas separadas na mesinha de cabeceira. Carteira, celular, ingressos e balinhas Tic-Tac. Sim, balas. Sim, ele adora, é viciadinho nessas balinhas, principalmente Tic-Tac de laranja.

E a Manu (fofaaaaaa!), já sabe do gosto do pai, quando vê Tic-Tac em algum lugar, vai pegando e querendo levar para o seu "papaizinho queridinho".

Pois ela viu a caixinha laranja lá, separadinha junto com a carteira.

- Papai! A balinha que eu te dei! E quase acabou.

(Ela notou que estava realmente no fim).

- É, filha, só tem duas. Você quer uma?

Obviamente, a formiguinha aceitou uma e o papai falou que levaria a última bala para ele comer durante o jogo.

Ele vai até o banheiro, escova os dentes e ela lá, secando a última bala da caixinha. Ele finge que não tá vendo e nem percebendo nada, escova os dentes, meio de cabeça baixa, mas com os olhos na mocinha.

De repente, muito rapidamente, ela sai do quarto "seqüestrando" a cobiçada bala.

- Manu! Aonde você vai com a minha bala?

- Vou levar ela pra lá um pouquinho.

Vai pra sala, após o tempo de umas mastigadinhas, volta com a caixinha vazia. E põe lá, junto com a carteira, o ingresso e o celular.

Papai só olha. Não precisa falar nada e ela vai explicando:

- Vou deixar a caixinha aqui para você brincar um pouquinho com ela.

- Manu, eu não falei que só tinham duas balas e que eu ia dividir com você? Você comeria uma e a outra era minha. Cadê a outra bala?

- Papai, só que, só que, só que, só que, só que eu comi!!!

Ela precisava se entregar? Alguém duvidava da autoria do "crime"?

Elementar, meu caro Watson?

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domingo, 30 de maio de 2010

O Sábado


Ontem tivemos festinha na escola das crianças e entendi toda a confusão da Copa do Mundo em Cuscuz (assim com letra maiúscula, afinal, de acordo com a minha filha gênia, trata-se de um país, viu?!).

A escola organizou uma sala de culinária e deu dicas de receitas típicas africanas preparadas pelas crianças. Lá estava o nosso cuscuz! (Agora que entendemos tudinho, posso tirar o "C" maiúsculo e voltar a considerar o cuscuz apenas como um prato.)

Era tipo um cuscuz marroquino, facilitando a explicação. As crianças experimentaram, comeram tudinho e adoraram. Querem a receita?

Cuscuz (prato típico do Deserto do Saara)

Ingredientes:
250 gramas de sêmola de trigo
tomate
pimentão verde
cebola
pepino
folhas de hortelã
azeite
pinhões
limão
sal

Modo de preparo: corte em cubos cada um dos legumes. Em um recipiente, coloque a sêmola de trigo e cubra com água quente até que o grão comece a inchar. Amasse as folhas de hortelã com o azeite em um pilão. Assim que o molho estiver pronto, deixe-o descansar. Misture os legumes com a sêmola em uma saladeira. Em uma frigideira, refogue os pinhões até que fiquem dourados. Depois misture-os com a sêmola, acrescentando o limão. Por último, acrescente o molho de hortelã e um pouco de sal. O cuscuz está pronto.

Até para mim, que mal sei onde fica a cozinha, parece fácil. Depois vocês me contam!

*****

Ontem também tivemos o casamento. A família estava toda muito bonitinha e produzida, destaque especial para as nossas três criancinhas, os "daminhos".

Eu, lá no altar, lencinho preparado nas mãos, ouço a música, reconheço como a das crianças, vejo a porta se abrindo e lá vem o Pepê liderando a turma. Atravessou toda a nave da igreja, o Joaquim veio também, ao lado do irmão, papai e mamãe morrendo de orgulho da duplinha idêntica de coletinho, camisa branca e All Star. Subiram as escadas e ficaram conosco um pouquinho durante a cerimônia.

Não vão pensando que eu esqueci da Manu, mas é que a mocinha não quis entrar meeesmo! Toda linda de vestido florido, buquezinho, borboleta bordada nas costas, e outras duas de brilhantes nas orelhinhas, mas não teve jeito. Disse que ficou "com vergonha da igreja". Desculpas aceitas, vai... Não dá para forçar e traumatizar a coitadinha.

Ficaram um pouco na festa, participaram das fotos oficiais com os noivos e padrinhos, dançaram animados na pista e foram embora para a casa da vovó exaustos! Com os rostinhos e mãozinhas lambuzados de bem-casados.

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Orquestra Baby


Hoje ouvi uma história daquelas que a gente ama, morre de rir e quer compartilhar. Aconteceu com uma amiga da minha irmã, não vou divulgar o nome dela, obviamente, mas já consegui autorização para contar o que aconteceu. Nem sei se ela vai ler, afinal a amiga grávida está praticamente com o barrigão aguardando o obstetra na sala de parto.

Mas foi o seguinte: final da segunda gestação, agora vem uma menininha, já posicionada, cabecinha para baixo, só esperando a hora certa. Mas não é que, na reta final, a menina conseguiu se virar e ficar sentada? Eis que, a mãe, ansiosa, querendo um parto normal, queria, porque queria que a menina virasse novamente (quem deu uma cambalhota, pode dar 2!) e sentiu dores. E achou que a explicação para este incômodo era pela segunda cambalhotinha. Mas queria se certificar. Era terça-feira e
o ultrassom estava marcado para sexta.

Pega o telefone, liga para a obstetra, que, de cara, responde:

- Não, eu não vou te dar um pedido para um ultrassom hoje. Fique em casa, repousando, como eu já determinei, sem dirigir, como também determinei e aguarde até sexta-feira para o seu exame.

Mas grávida nenhuma aceita desaforo, não dá muita bola para as recomendações médicas, ainda mais quando se trata da segunda vez. Além do mais, as ansiedades e vontades de grávidas devem ser atendidas mais rápido do que de qualquer criança, senão o resultado é pior do que um capetinha mimado. Aviso: não criem confusão com uma grávida. Elas são seres à parte, que, literalmente, têm o rei (ou a rainha!) na barriga e todo o poder do mundo. Falo com conhecimento de causa: estive lá. Duas vezes. Três crianças. Poderosíssima!!!

Nossa amiga grávida teve uma grande idéia: já que a médica não atendeu a sua vontade, correu no hospital “concorrente” (dirigindo sozinha!!), pediu urgência para ser atendida, inventando dores terríveis, portanto, precisava fazer um ultrassom.

- Não, senhora, vou fazer o exame de toque.

- Eu preciso de um ultrassom.

- Não, senhora, vou fazer o exame de toque.

- Eu preciso de um ultrassom.

E assim foi, por algum tempo. Até que a médica venceu e o exame de toque revelou 4 cm de dilatação, ainda antes da data prevista para o parto.

A médica concorrente avisou:

- Preciso do telefone da sua médica.

Daí, começou o desespero de verdade. Se desse o telefone, a médica descobriria a “arte”. Ela, então, “simulou” uma ligação para a sua médica, do próprio celular e inventou que a “falsa doutora” estaria muito ocupada e não poderia falar naquele momento, pois estava entrando na sala de cirurgia para um parto.

Mas, a plantonista, que de boba não tem nada e parece conhecer as artimanhas (e a falta de limites, sorry!!) de uma grávida, avisou que não poderia liberá-la sem conversar com a médica oficial. Ela voltou a inventar desculpas (piores do que as das crianças, acreditem!), até que não se agüentou e contou toda a verdade: não tinha dor coisa nenhuma, só correu para o hospital por curiosidade de fazer um
ultrassom para ver a posição da filhinha.

- Bom, mas agora o assunto é sério: você pode não ter dor, mas está com 4 cm de dilatação. Preciso falar com a sua médica já!

Finalmente, a médica foi contatada e o final nada feliz, foi uma ida para outro hospital, o não-concorrente dessa vez, aquele onde trabalha a médica. Ela foi de ambulância, já de noite, com o marido e a obstetra aguardando na porta, com cara de bravos, já beeeem preparados para aquela bronca, sabe? E o pior: não fez o ultrassom!!

Após 5 noites no hospital e muito esporro do marido, ela continua de repouso absoluto e vigiado, aguardando a sua hora: de conhecer a filha e para saber a partir de qual posição ela virá ao mundo...

Apostas?

*****

Ontem, fiz um programinha delicioso com o meu maridinho, um daqueles que a gente sempre adorou fazer, mas não conseguíamos há muito tempo.

Fomos assistir ao concerto da Osesp na Sala São Paulo. Sou nada entendida de música clássica, ou erudita, nem sei como classificar o “estilo”. Não conheço as composições, apenas compositores de nomes conhecidos. Mas o programa é uma delícia, o lugar é lindíssimo e assistir à Osesp é um verdadeiro espetáculo.

Eu fico absolutamente fascinada com todos aqueles músicos, milhares de instrumentos e sons, mas o que sempre me chama mais atenção é o maestro.

Imaginem só o que é reger uma orquestra? Como já disse, tantos músicos e instrumentos diferentes tocando que resultam nas coisas mais bonitas e, de fato, emocionantes que uma pessoa pode escutar. Como ele consegue tamanha perfeição? Beleza e emoção? Como eles todos conseguem?

O maestro, para chegar até ali, não aprendeu simplesmente códigos gestuais para música, tem muito mais por trás de cada movimento de braço, na sua intensidade, direção e força. Ele chega a pular, até balança a cabeça e, se eu pudesse ver além das suas costas, tenho certeza sobre qual seria a expressão em seu rosto e o suor na testa.

E isso tem a ver com esse blog porque? Há! Não perceberam a metáfora? Me vi a própria maestra, regendo os meus filhotes, não com a perfeição do maestro Yan Pascal Tortelier da Osesp, mas eu me esforço. Não estudei, nem tenho a prática e experiência dele, porém tenho certeza da minha boa vontade, disposição e bom senso. (Conto também com um diploma de Psicologia pela PUC-SP e alguns anos como professora de educação infantil, se é que mãe precisa de currículo.)

E a minha orquestra? Quem já parou para ouvi-la sabe que ela está longe de ser afinada, ou de conhecer oboés, flautas e violinos. Ainda tocam “maracas” e chocalhos coloridos. Mas eles são capazes de lotar a Sala São Paulo aqui da nossa casa, encher o meu coração de orgulho, os meus olhos de lágrimas e a minha vida de alegria diariamente. O concerto aqui não tem hora para começar ou terminar, não segue programa, ritmo e nem rotina de ensaios. Mas é, certamente, o espetáculo mais maravilhoso que uma mãe pode experimentar.

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mamãe Eu Quero


Eu não sei se a questão é exclusiva da minha filha-na-contagem-regressiva-para-os-três-anos ou se tem tudo a ver com crianças de três anos em geral. Mas sei que eu só posso ter cara de “mamãe, eu quero!”.

Simples. Ela me vê e fala:

- Mamãe, eu quero me fantasiar!

- Mamãe, eu quero ver um filminho!

- Mamãe, eu quero fazer um rabinho de cavalo!

- Mamãe, eu quero um suquinho!

- Mamãe, eu quero a minha chupeta!

- Mamãe, eu quero a minha bunnyinha!

- Mamãe, eu quero a minha mantinha!

- Mamãe, eu quero o meu mamá gelado!

Ou, eu sento para almoçar/jantar:

- Mamãe, eu quero fazer xixi!

- Mamãe, eu quero fazer cocô!

(Esses dois pedidos são clássicos nas horas das refeições e eles acontecem simultaneamente. Primeiro, faz um. Depois, pede de novo e faz o outro).

Tem outros também:

- Mamãe, eu quero que você tirA ele daqui. (Obviamente, um dos irmãos)

- Mamãe, eu quero me arrumar!

- Mamãe, eu quero pôr aquele vestido, com essa meia calça e uma sapatilha rosa!

- Mamãe, eu quero trocar de roupa!

- Mamãe, eu quero colocar outro sapato!

- Mamãe, eu quero relaxar na sua cama!

- Mamãe, eu quero dormir na sua cama! (Essa acontece de madrugada!)

- Mamãe, eu quero o papaaaaaaaaai!

Daí, resolvi me poupar um pouco diante dessa conhecida marchinha de Carnaval e deixei de atender prontamente aos tantos pedidos. Liberei a autonomia, autorizando a mocinha a fazer determinadas coisas sozinhas, aquelas que já consegue, claro.
E quando falo:

- Você quer a sua mantinha? Então, pode ir lá pegar.

Sabe o que ela tem me respondido?

- Mamãe, eu não quero que você falA assim comigo...

A minha lombar padece, enquanto o ortopedista agradece. Os fabricantes de analgésicos e de antiinflamatórios também.

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Outro assopro, por favor!!


Vou contar tudo cronologicamente, ok?

Ontem à noite, a maior cena com o Pedro. Testando todos os meus limites e a minha paciência. Encarnei a Super Nanny para enfrentar a situação. Depois de tudo aparentemente resolvido, precisei entrar em um banho quente e demorado, tamanho o meu cansaço emocional.

Pedro é muito dorminhoco, dorme rápido, principalmente depois da escola. Ontem, ficou "conversando" no berço até às 10 da noite. Inacreditável! Ele estava exausto e, quando finalmente apagou, pensei: "agora vai embora até amanhã cedo".

Às 5 da manhã começo a ouvir uma conversinha. Era ele, Pedro. Vou lá, ajeito no berço, checo afralda, falo sério: "filho, hora de dormir, chega de brincar e de conversar".

Para resumir, a brincadeira do rapaz durou até às 7 da manhã. Já viram criança com insônia? Eu já! Das 5 às 7! E a Zumbi mãe só voltou a dormir às 7 e meia da manhã. Dormi picadinho até às 9.

O Zumbi levanta e entra rapidinho no clima: Manu recebeu a visita de 3 amiguinhos hoje! Foi uma bagunça deliciosa, até esqueci do sono e da insônia. Imaginem vocês que eu tinha 6 crianças em casa hoje!!

Todo mundo almoçado, trocado, penteado, dente escovado e rumo à escola. Fiz duas viagens, meu carro não comportou 6 crianças de uma vez...

Uma hora depois, me liga a professora do Pedro, dizendo que ele está com o olhinho vermelho e com secreção. Volto eu para a escola, pela terceira vez em uma hora...

Realmente, o olho não estava bom, liguei para o pediatra e o diagnóstico foi pelo telefone: conjuntivite.

E aqui está ele ao meu lado, brincando e desenhando, fazendo compressinhas de soro fisiológico no olho mais coitadinho do mundo.

E ele precisa melhorar logo. E a Manu e o Joaquim (a mamãe e o papai também!) não podem pegar: sábado tem festinha na escola e à noite temos um casamento. Nós somos padrinhos e as minhas três coisinhas mais lindas do mundo serão "daminhos".

Vamos todo mundo, novamente, assoprar às 9 da noite de hoje para mandar a nuvem da conjuntivite embora...

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terça-feira, 25 de maio de 2010

Os Mundos


Continuando a falar da Edição Veja Especial Mulher, tem um artigo a respeito de trabalho e maternidade, cujo título é “Meu bebê é como um vício – Por que o feminismo não admite o prazer de ser mãe?”, escrito pela escritora e jornalista Katie Roiphe, especialista em temas femininos.

O título em si já é maravilhoso e a escritora começa contando que perdeu “todas as ambições mundanas” a partir do nascimento do seu bebê. Quando precisa pensar em trabalho, a sensação é de “pavor”.

Alguém se identifica? Ou se identificou? Tudo isso parece familiar, mas, ao mesmo tempo, tão particular, que muitas vezes nem conseguimos colocar em palavras, afinal, não entendemos o que está acontecendo, que mudanças são essas, esses sentimentos novos e necessidades absurdas de adaptação. E se, de repente, você começar a chorar mais do que um bebê, é disso aí que ela está falando.

Mas eu queria colocar nesse post as palavras dela, tão esclarecedoras, que agem como um verdadeiro alívio, especialmente para as “mães frescas”:

“As pessoas costumam comparar o fato de ter um bebê aos primeiros dias de um namoro, o que faz sentido até certo ponto. Mas a fixação física e o anseio pelo bebê são muito mais intensos. Com que freqüência num namoro você se vê literalmente às lágrimas porque ficou longe de um homem durante três horas? Imagino que uma metáfora melhor seria a dependência química.

Uma das desonestidades menores do movimento feminista tem sido subestimar a paixão dessa fase da vida, para em vez disso tentar uma avaliação racional e politicamente vantajosa. Historicamente, as feministas enfatizam as dificuldades e o peso de ser mãe. Elas tentaram traçar uma analogia entre a puericultura e o trabalho masculino; então, por muito tempo as mulheres chamaram a maternidade de “vocação”. A tarefa de cuidar de um bebê é árdua e exigente, é claro, mas é mais bárbara e narcótica do que qualquer tipo de trabalho que eu já tenha feito.

Imagino que pessoas normalmente inteligentes e descomplicadas achem esse tipo de conversa sobre bebês muito chato. Noto que, quando tento me forçar a conversar sobre outra coisa que não o meu filhote, tenho de pensar: “Agora é hora de conversar sobre outra coisa que não o bebê. Admito vagamente que isso é que é maçante nos pais, e certamente na nossa atual cultura da paternidade/maternidade: esse fluxo subterrâneo de autocongratulação.

Parte da atração da licença-maternidade é precisamente essa: você abre mão de tudo. Os livros na estante não são os seus livros; as roupas penduradas no armário não são as suas roupas. Você é o animal vago, lento e exausto, tomando conta dos seus filhotes. Qualquer coisa graciosa, original, aguda ou inteligente que você tivesse sumiu, é a negação total do mundo exterior – mais eis o apelo desse período.
Sei que em algum lugar por aí há um grande mundo, onde as pessoas conversam, pensam e escrevem, mas ainda não estou interessada em ir para lá.”


E vocês, em que mundo se encontram?

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Angelcare


Depois de algum tempo, volto a falar da Veja. Eles publicaram essa semana um Especial Mulher e o conteúdo é bem previsível: o discurso feminista, a mulher no mercado de trabalho (ainda com salários inferiores aos dos homens), o adiamento da maternidade, enfim, tudo meio repetitivo, ainda mais pra mim, que sou zero feminista e muito mulherzinha.

Acho o máximo um homem que paga a conta e abre a porta do carro e não é uma questão de grana, não. Se você, homenzinho, pode pagar R$50 em um jantar, procure um restaurante de R$25 por pessoa e não um de R$100, para aí, no final, fazer a sua lady abrir a bolsa. Não vale!

E, mesmo as que acham “normal” e “moderno” rachar a conta, quando encontrarem um gentleman (espécie rara!) que, você mal percebeu, e a conta já está paga, vai A-DO-RAR! E, provavelmente não admitir... Mas esse é assunto pra outro tipo de blog, apenas não resisti.

Então, quando a gente acha que o assunto já se esgotou, a pílula anticoncepcional resolve comemorar 50 anos e, pronto! A festa está feita.

Vou comentando aos poucos algumas das matérias dessa edição, mas essa novidade que a Angelcare lançou chamou a minha atenção.

É uma babá eletrônica daquelas: tem um sensor que deve ser instalado sob o colchão e detecta qualquer movimento respiratório exagerado e mudanças bruscas de posição. E, por precaução, se nenhuma movimentação ocorrer por mais de vinte segundos, um alarme é disparado.

Imaginem que agradável... As babás eletrônicas já são o terror da interferência e do chiado, acrescente um alarme que dispara a cada vinte segundos... A Veja diz que a recomendação é para bebês de até 14 meses e para mães exageradamente preocupadas.

Se a mãe já não dormia antes, pensa só com essa babá que dispara de 20 em 20 SEGUNDOS!!! Tenho certeza que ela vai dar mais canseira que o próprio bebê e que é o caminho mais rápido para a Zumbilândia!

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