Determinadas situações domésticas mais complicadas sempre me tiraram o sono e me causaram certa ansiedade. Ter que demitir alguma funcionária aqui de casa, ou receber um pedido de demissão da noite para o dia, acordar na segunda feira e ver que ninguém veio trabalhar, enfim, essas coisas chatas que fazem parte da rotina doméstica de uma casa com 3 crianças e com um volume absurdo de trabalho sempre me atrapalharam um pouquinho.
É como imaginar receber a notícia de que a babá dos seus filhos, que chegou antes mesmo deles e que me esperava na garagem na nossa chegada da maternidade, está grávida.
Pois é isso aí. A babá das meus filhos acabou de descobrir que está grávida. É para tirar o sono, ficar ansiosa, não dormir pelos próximos 9 meses, pensar que você nunca mais vai encontrar uma pessoa tão boa, legal e de confiança para cuidar dos seus maiores e mais preciosos tesouros, não é? Não, não é.
Eu senti uma alegria do tamanho do mundo, coisa que eu nem sei explicar direito. Ao receber a notícia logo de manhã, ainda de pijama, dei um abraço nela e choramos as duas juntas e abraçadas. Essa criança não é nada minha, mas é como se fosse um sobrinho, alguém muito querido, mal consigo explicar!
Eu fico com vontade de fazer tudo por ela e pelo bebê e farei o que estiver ao meu alcance. É claro que tenho questões muito práticas para lidar e cuidar, mas isso não me tirou nem meio segundo do meu sono. Tenho certeza que vou penar para achar outra pessoa como ela, para botar alguém “na linha”, mas tudo bem, sabe?
Acho que trata-se de uma percepção mais humana que eu venho tendo. Não só humana, mas materna e altruísta por desejar que pessoas tão maravilhosas vivam e experimentem as alegrias da maternidade. Pois se há uma coisa que eu recomendo e muito é exatamente isso: a maternidade (e que seja mais de uma vez na vida, tá bom?).
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
A MÃE GENÉRICA
Eu me considero e sei que sou uma pessoa de “índole” ciumenta. Fato. Sempre tive ciúmes de amiga, namorado, marido, mãe, pai, irmã, manicure, depiladora, professora, empregada, babá, prima. Ou seja, se alguém que eu gostasse e me importasse desse um pingo de atenção a mais para uma outra pessoa, a luzinha do ciúmes de acendia no meu pobre coraçãozinho (um dia falo da minha “índole” dramática também!).
Daí, né?! Achei que estaria ferrada com 3 filhos. As luzinhas iam ficar piscando dia e noite, ainda mais pelo fato deles serem lindos, engraçadinhos e encantadores, ou seja, uma lição de vida para dar fim às luzinhas e apagá-las de vez.
Amamentei a Manu por uns 5 meses, foi muito intenso e me lembro até hoje quando vi a minha primeira filha tomando uma mamadeira no colo da babá e depois toda “aninhadinha” no ombro dela para arrotar. Chegou a dormir de tão gostoso e confortável que estava devia estar. E não vou falar de luzinha porcaria nenhuma, era um verdadeiro holofote mesmo. Coisa punk, gente, não havia Ray Ban no mundo que resolvesse aquela ofuscação toda.
Daí, passou. Assim, como num passe de mágica. As luzes devem ter queimado, só pode ser. Nunca mais senti um pingo de ciúmes, acreditam?
Puxando a sardinha para a minha pessoa-mãe evoluída e madura, entendi que sentir ciúmes de um filho é uma bobagem. Quando eu noto os meus filhos querendo a companhia ou pedindo o colo de outra pessoa que não o meu, sentindo saudades e estando feliz ao lado de uma tia, madrinha, avó, empregada, babá e etc, fico extremamente satisfeita. Porque quem agrada os meus filhos, me agrada também. Quem conquista os meus filhos, me conquista também. Ganhar o afeto verdadeiro, puro e inocente de uma criança não é pouca coisa, não. É das maiores conquistas que se pode ter na vida, acreditem!
Tudo isso para contar de uma pessoa que trabalha na escola das crianças e tem verdadeira loucura por eles. Já me contaram que ela interrompe o próprio horário de almoço para ir recebê-los no portão da escola no momento da entrada. Ela viajou de férias e trouxe uma camisetinha de presente para cada um dos três. E a moça tem até um apelidinho: “a mãe genérica”.
Um dia, uma outra funcionária da escola me encontrou na rua e perguntou se eu me incomodava com o papo da “mãe genérica”. Eu, toda madura e evoluída, respondi:
- Eeeeeeeeeuuuuuu??? Ma-gi-na!
E é a mais pura verdade, desejo que os meus filhos tenham referências e lembranças de muitas “mães genéricas” que passarem pelas vidinhas deles.
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Daí, né?! Achei que estaria ferrada com 3 filhos. As luzinhas iam ficar piscando dia e noite, ainda mais pelo fato deles serem lindos, engraçadinhos e encantadores, ou seja, uma lição de vida para dar fim às luzinhas e apagá-las de vez.
Amamentei a Manu por uns 5 meses, foi muito intenso e me lembro até hoje quando vi a minha primeira filha tomando uma mamadeira no colo da babá e depois toda “aninhadinha” no ombro dela para arrotar. Chegou a dormir de tão gostoso e confortável que estava devia estar. E não vou falar de luzinha porcaria nenhuma, era um verdadeiro holofote mesmo. Coisa punk, gente, não havia Ray Ban no mundo que resolvesse aquela ofuscação toda.
Daí, passou. Assim, como num passe de mágica. As luzes devem ter queimado, só pode ser. Nunca mais senti um pingo de ciúmes, acreditam?
Puxando a sardinha para a minha pessoa-mãe evoluída e madura, entendi que sentir ciúmes de um filho é uma bobagem. Quando eu noto os meus filhos querendo a companhia ou pedindo o colo de outra pessoa que não o meu, sentindo saudades e estando feliz ao lado de uma tia, madrinha, avó, empregada, babá e etc, fico extremamente satisfeita. Porque quem agrada os meus filhos, me agrada também. Quem conquista os meus filhos, me conquista também. Ganhar o afeto verdadeiro, puro e inocente de uma criança não é pouca coisa, não. É das maiores conquistas que se pode ter na vida, acreditem!
Tudo isso para contar de uma pessoa que trabalha na escola das crianças e tem verdadeira loucura por eles. Já me contaram que ela interrompe o próprio horário de almoço para ir recebê-los no portão da escola no momento da entrada. Ela viajou de férias e trouxe uma camisetinha de presente para cada um dos três. E a moça tem até um apelidinho: “a mãe genérica”.
Um dia, uma outra funcionária da escola me encontrou na rua e perguntou se eu me incomodava com o papo da “mãe genérica”. Eu, toda madura e evoluída, respondi:
- Eeeeeeeeeuuuuuu??? Ma-gi-na!
E é a mais pura verdade, desejo que os meus filhos tenham referências e lembranças de muitas “mães genéricas” que passarem pelas vidinhas deles.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
A escolha de um filho
Manuzinha passou muito tempo com o discurso de que queria ser mãe quando crescesse, não sei de onde (ou de quem, hein?!) ela tirou essa idéia. Dizia até que ia ter filhas gêmeas, Maria Clara e Helena. Já chegou a descrever todos os cuidados que teria com os seus bebês, discurso que ouvi atentamente e com lágrimas nos olhos.
Mas, a conversa mudou. Agora ela quer ser pediatra. Gente, pediatra!! E eu já elaborei mentalmente as vantagens e desvantagens para essas duas escolhas, deixa eu te contar, filha.
Em primeiro lugar, meu amor, qualquer uma das escolhas que você fizer, vai ter que se dedicar muito, muito e muito. Dia e noite. Além das suas forças. Nunca fui e nem pretendo ser pediatra, mas posso imaginar que a dedicação deve ir além das suas forças, vontades e cansaço. E, acredita, nenhuma mãe gosta de ver ou de imaginar o seu filho exausto, se alimentando mal, sem dormir e sem poder brincar ou se divertir quando quiser.
Caso você escolha a maternidade, Manu, quanto mais filhos tiver, mais trabalho vai ter, mais cansada vai ficar, menos tempo terá para você e, para as suas coisas, assim como menos dinheiro vai sobrar (fato!). Por outro lado, na Medicina, quanto mais pacientes tiver, mais terá que trabalhar e se dedicar, ganhará mais dinheiro para as suas coisinhas. Dinheiro em espécie na Medicina. Na maternidade, o pagamento vem de outras formas, tão boas e compensadoras quanto o dinheiro, mas é um pagamento que não compra roupa, não paga jantares em restaurantes bacanas e nem a conta do cabeleireiro. Mas, te digo, o "salário" é bom.
Imagino que, na Medicina, tenha o dia certo do pagamento, até com direito a férias e 13º. Na maternidade, não. Todo dia é dia de pagamento, não tem férias ou 13º., mas são muitos bônus, quase que diariamente também.
Como pediatra, o seu celular vai tocar de madrugada e você vai ter que se arrumar e correr para o hospital. Como mãe, o seu filho vai chorar à noite e você vai correr até o quarto dele de pijama. Ambas as “profissões” exigem que você dê inúmeros plantões e cada um paga na sua própria moeda.
Sendo mãe, você vai ter que exercitar toda a sua paciência com os seus filhos. Sendo pediatra, você vai ter que exercitar toda a sua paciência com as mães.
Um pediatra faz uns 5 ou 6 (é isso mesmo? Fiquei na dúvida!)anos de faculdade, 2 de residência e dá sempre o mesmo diagnóstico: “é uma virose”. A mãe não estuda nada e nunca tem diagnóstico nenhum, apenas milhares e milhares de hipóteses.
Filhinha, não quero te convencer de nada, tá? Só quero tentar te mostrar o que cada uma dessas lindas escolhas pode te oferecer. Se você quiser, pode pedir para as mães blogueiras (como você chama as amigas do computador que a Mamãe tanto fala e para quem tanto escreve!) te ajudar a escolher e decidir também. Mas, tenha uma certeza: a Mamãe só (!!!) quer que você seja feliz em qualquer coisa que resolver fazer, tá bom? Te amo, meu amor!
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Mas, a conversa mudou. Agora ela quer ser pediatra. Gente, pediatra!! E eu já elaborei mentalmente as vantagens e desvantagens para essas duas escolhas, deixa eu te contar, filha.
Em primeiro lugar, meu amor, qualquer uma das escolhas que você fizer, vai ter que se dedicar muito, muito e muito. Dia e noite. Além das suas forças. Nunca fui e nem pretendo ser pediatra, mas posso imaginar que a dedicação deve ir além das suas forças, vontades e cansaço. E, acredita, nenhuma mãe gosta de ver ou de imaginar o seu filho exausto, se alimentando mal, sem dormir e sem poder brincar ou se divertir quando quiser.
Caso você escolha a maternidade, Manu, quanto mais filhos tiver, mais trabalho vai ter, mais cansada vai ficar, menos tempo terá para você e, para as suas coisas, assim como menos dinheiro vai sobrar (fato!). Por outro lado, na Medicina, quanto mais pacientes tiver, mais terá que trabalhar e se dedicar, ganhará mais dinheiro para as suas coisinhas. Dinheiro em espécie na Medicina. Na maternidade, o pagamento vem de outras formas, tão boas e compensadoras quanto o dinheiro, mas é um pagamento que não compra roupa, não paga jantares em restaurantes bacanas e nem a conta do cabeleireiro. Mas, te digo, o "salário" é bom.
Imagino que, na Medicina, tenha o dia certo do pagamento, até com direito a férias e 13º. Na maternidade, não. Todo dia é dia de pagamento, não tem férias ou 13º., mas são muitos bônus, quase que diariamente também.
Como pediatra, o seu celular vai tocar de madrugada e você vai ter que se arrumar e correr para o hospital. Como mãe, o seu filho vai chorar à noite e você vai correr até o quarto dele de pijama. Ambas as “profissões” exigem que você dê inúmeros plantões e cada um paga na sua própria moeda.
Sendo mãe, você vai ter que exercitar toda a sua paciência com os seus filhos. Sendo pediatra, você vai ter que exercitar toda a sua paciência com as mães.
Um pediatra faz uns 5 ou 6 (é isso mesmo? Fiquei na dúvida!)anos de faculdade, 2 de residência e dá sempre o mesmo diagnóstico: “é uma virose”. A mãe não estuda nada e nunca tem diagnóstico nenhum, apenas milhares e milhares de hipóteses.
Filhinha, não quero te convencer de nada, tá? Só quero tentar te mostrar o que cada uma dessas lindas escolhas pode te oferecer. Se você quiser, pode pedir para as mães blogueiras (como você chama as amigas do computador que a Mamãe tanto fala e para quem tanto escreve!) te ajudar a escolher e decidir também. Mas, tenha uma certeza: a Mamãe só (!!!) quer que você seja feliz em qualquer coisa que resolver fazer, tá bom? Te amo, meu amor!
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
"Take a walk on the wild side", by Anne Rammi
Fui tomar café com a Anne na semana passada e hoje é ela que veio aqui em casa.
Uma super e ilustre visita. O post "não é fofo", como ela mesma disse, mas é de uma verdade e de uma realidade sem tamanho. A maternidade é "brincadeira" para adultos mesmo, vejam:
"Houve uma copa do mundo em que os jogos eram de madrugada.
Eu era recém formada, trabalhante, altamente independente, com carro próprio. Carro fruto do meu suor, não pense que ganhei na mamata não, quando eu fiz dezoito anos, recebi de presente uma caixinha, e eu sonhadora que era imaginei ao longe que se tratavam das chaves do carro, abri com os olhos brilhando e era um controle remoto.
Tá bom para você? Amei a televisão, mas eu achei que era um carro.
Enfim, minha independência me levava para onde eu bem entendesse na hora que eu quisesse. Eu, uma odiadora convicta de futebol, assisti todos os jogos daquela copa.
Bar, casa de amigos, festas, churrascos inapropriados na madrugada. Fosse sábado ou quarta-feira.
Eu trabalhava cedinho, dava aulas. E estava sempre lá, com uma ou duas horas de sono. De pé, na disposição. Com 5 ou 18 alunos. Com um ano e meio ou sessenta anos.
A copa passou e a boemia não saiu de mim. Festa, festa, festa. Viagem, viagem, viagem.
Trabalhava sim, e sempre fui responsável, mas vivia pelo lazer e para o lazer. Dificilmente recusava um convite e passava a semana almejando a sexta feira, melhor dia do samba rock que eu freqüentava.
Conversei tantas coisas em 10 anos de juventude transviada à minha moda que certamente descobri o segredo do universo. Devo tê-lo descoberto infinitas vezes, mas ele ia-se embora cada dia seguinte quando acordávamos todos com dor de cabeça.
***
Quando Joaquim nasceu eu não parava de pensar que eu ia morrer. A primeira semana após o parto foi um estado suspenso no tempo e no espaço, com uma dedicação feroz e inconsciente um amor estranho por aquele bebê. Mas uma sensação de velório, com cheiro de velas e tudo, beirando o desespero de quem perde alguém, como vai ser a vida agora?
Eu tinha certeza que eu ia morrer. E morri mesmo.
Foi-se a mulher decidida, a fanfarrona das madrugadas, a solteira (ainda que eternamente comprometida). Nasceu a mulher filosófica, a ponta firme das madrugadas, a responsável (ainda que eternamente aprendiz).
Não ha vida mais selvagem do que ser mãe de alguém.
Se você quer independência, ela só existe quando sobrevive depois que te jogam aquele pacote nos braços.
Se você quer diversão, ela só faz sentido depois que você fez seu filho rir. Por que você fez barulho de pum com a boca!
Se você quer conhecer o mundo, não existe viagem maior, não existe. Do que essa interna, louca, perigosa e imprevisível viagem de maternar.
Eu achava boêmio festejar a noite toda e trabalhar no dia seguinte. Boêmio é cuidar do filho a noite toda e cuidar do filho no dia seguinte.
A vida pré maternidade é coisa para crianças.
Bem vindos ao novo lado selvagem.
Quem ainda não cruzou a ponte, pode esperar."
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Uma super e ilustre visita. O post "não é fofo", como ela mesma disse, mas é de uma verdade e de uma realidade sem tamanho. A maternidade é "brincadeira" para adultos mesmo, vejam:
"Houve uma copa do mundo em que os jogos eram de madrugada.
Eu era recém formada, trabalhante, altamente independente, com carro próprio. Carro fruto do meu suor, não pense que ganhei na mamata não, quando eu fiz dezoito anos, recebi de presente uma caixinha, e eu sonhadora que era imaginei ao longe que se tratavam das chaves do carro, abri com os olhos brilhando e era um controle remoto.
Tá bom para você? Amei a televisão, mas eu achei que era um carro.
Enfim, minha independência me levava para onde eu bem entendesse na hora que eu quisesse. Eu, uma odiadora convicta de futebol, assisti todos os jogos daquela copa.
Bar, casa de amigos, festas, churrascos inapropriados na madrugada. Fosse sábado ou quarta-feira.
Eu trabalhava cedinho, dava aulas. E estava sempre lá, com uma ou duas horas de sono. De pé, na disposição. Com 5 ou 18 alunos. Com um ano e meio ou sessenta anos.
A copa passou e a boemia não saiu de mim. Festa, festa, festa. Viagem, viagem, viagem.
Trabalhava sim, e sempre fui responsável, mas vivia pelo lazer e para o lazer. Dificilmente recusava um convite e passava a semana almejando a sexta feira, melhor dia do samba rock que eu freqüentava.
Conversei tantas coisas em 10 anos de juventude transviada à minha moda que certamente descobri o segredo do universo. Devo tê-lo descoberto infinitas vezes, mas ele ia-se embora cada dia seguinte quando acordávamos todos com dor de cabeça.
***
Quando Joaquim nasceu eu não parava de pensar que eu ia morrer. A primeira semana após o parto foi um estado suspenso no tempo e no espaço, com uma dedicação feroz e inconsciente um amor estranho por aquele bebê. Mas uma sensação de velório, com cheiro de velas e tudo, beirando o desespero de quem perde alguém, como vai ser a vida agora?
Eu tinha certeza que eu ia morrer. E morri mesmo.
Foi-se a mulher decidida, a fanfarrona das madrugadas, a solteira (ainda que eternamente comprometida). Nasceu a mulher filosófica, a ponta firme das madrugadas, a responsável (ainda que eternamente aprendiz).
Não ha vida mais selvagem do que ser mãe de alguém.
Se você quer independência, ela só existe quando sobrevive depois que te jogam aquele pacote nos braços.
Se você quer diversão, ela só faz sentido depois que você fez seu filho rir. Por que você fez barulho de pum com a boca!
Se você quer conhecer o mundo, não existe viagem maior, não existe. Do que essa interna, louca, perigosa e imprevisível viagem de maternar.
Eu achava boêmio festejar a noite toda e trabalhar no dia seguinte. Boêmio é cuidar do filho a noite toda e cuidar do filho no dia seguinte.
A vida pré maternidade é coisa para crianças.
Bem vindos ao novo lado selvagem.
Quem ainda não cruzou a ponte, pode esperar."
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
A temida programação da televisão
Não me perguntem como, mas a Manuela descobriu que existe vida além da Discovery Kids e da gaveta de DVDs.
Sempre fui mais favorável aos filminhos mesmo, bem mais do que à DK e eles aceitam bem. Aliás, até preferem escolher e assistir milhares e milhares de vezes algum dos DVDs do que simplesmente ficar diante da programação (chatinha) da Discovery Kids. Ponto para a Mamãe aqui!
Mas como ter crianças em casa é acompanhar a vida através das mudanças e descobertas deles, pronto, mais uma: o Cartoon Network, o temido.
Do pouco que eu já vi, são muitos desenhos de luta, acho que para as crianças maiores mesmo. Tem o desenho da Turma da Mônica que eu até acho bonitinho e OK de assistir, mas não conheço muito mais do que isso.
Só que agora, é só ligar a TV e a Manu já fala:
- Põe no Cartoon!
Hoje de manhã, tava passando a Turma da Mônica. Depois, à noitinha, era o Ben 10, outro temido, mas eles piraram e eu deixei que assistissem. Em seguida, anunciaram o Chaves. Gente, CHA-VES. Não, não posso com isso e fui logo mudando para o fofo Discovery Kids.
Nessa hora, começou a cena: Manuela chorava rios de lágrimas, pois queria de qualquer jeito assistir Chaves e eu me recusei, bati o pé tanto quanto ela e disse que não, não e ponto final.
Cena seguinte:
Manuela:
- Eu quero Chaves! Eu queeeeeeeeeeeeeero Chaves! Eu quero Chaaaaaaaaaaves!
Joaquim, o apaziguador:
- Manu, não chora, a "CHAVE" é só do carro do Papai...
(Depois de tanta fofura e de gargalhadas escondidas no lavabo, me deu até vontade de liberar a porcaria do Chaves...)
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Sempre fui mais favorável aos filminhos mesmo, bem mais do que à DK e eles aceitam bem. Aliás, até preferem escolher e assistir milhares e milhares de vezes algum dos DVDs do que simplesmente ficar diante da programação (chatinha) da Discovery Kids. Ponto para a Mamãe aqui!
Mas como ter crianças em casa é acompanhar a vida através das mudanças e descobertas deles, pronto, mais uma: o Cartoon Network, o temido.
Do pouco que eu já vi, são muitos desenhos de luta, acho que para as crianças maiores mesmo. Tem o desenho da Turma da Mônica que eu até acho bonitinho e OK de assistir, mas não conheço muito mais do que isso.
Só que agora, é só ligar a TV e a Manu já fala:
- Põe no Cartoon!
Hoje de manhã, tava passando a Turma da Mônica. Depois, à noitinha, era o Ben 10, outro temido, mas eles piraram e eu deixei que assistissem. Em seguida, anunciaram o Chaves. Gente, CHA-VES. Não, não posso com isso e fui logo mudando para o fofo Discovery Kids.
Nessa hora, começou a cena: Manuela chorava rios de lágrimas, pois queria de qualquer jeito assistir Chaves e eu me recusei, bati o pé tanto quanto ela e disse que não, não e ponto final.
Cena seguinte:
Manuela:
- Eu quero Chaves! Eu queeeeeeeeeeeeeero Chaves! Eu quero Chaaaaaaaaaaves!
Joaquim, o apaziguador:
- Manu, não chora, a "CHAVE" é só do carro do Papai...
(Depois de tanta fofura e de gargalhadas escondidas no lavabo, me deu até vontade de liberar a porcaria do Chaves...)
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
O famoso caso da bolacha de chocolate
Uma das funções desse blog é registrar as histórias e gracinhas dos meus filhos. E são muitas, eu sei, mas a gente sempre tem uma favorita ou mais marcante. E hoje é isso que eu vou contar a história mais marcante e determinante da MINHA vida. (Eu sei que eu não sou lá tããããõoooo interessante, mas leiam até o final, vale a pena!).
Tenho uma prima 6 meses mais velha do que eu. Quando tínhamos, eu e ela, respectivamente, 6 meses e 1 ano, as nossas mães resolveram nos levar para a praia durante as férias.
A gente devia dar um trabalho e uma canseira do caramba, pois as duas figuras maternas da história resolveram carregar um “chiqueirinho” (!!) para cada uma. Imaginem então o nível do porta-malas, da energia e do stress que os dois bebês elétricos deviam gerar.
Em uma tarde, deixaram cada uma no seu próprio chiqueirinho (fico só imaginando o desastre se a gente compartilhasse esse espaço tão lúdico e educativo...) e foram fazer alguma coisa, talvez tirar um cochilo, será?
A minha prima, no auge dos seus 12 meses, já consumia aquele veneno, como seria considerado nos dias de hoje, chamado bolacha de chocolate, do tipo recheada mesmo. O equivalente a uma Bono, imagino eu.
Então, para deixar as crianças alucinadas quietinhas, a minha mãe deve ter me dado uns tupperwares e suas tampas e a minha prima foi premiada com uma bolacha, cada uma no seu quadrado, of course.
As nossas mães imaginam (elas só podem imaginar mesmo, pois nos abandonaram num quadradinho para tirar um cochilo <-- modo dramática na mais alta potência!) que eu olhava a bolacha da minha prima e babava horrores, completamente hipnotizada pela visão e pelo cheiro daquela coisa redonda e marrom. Então, continuam imaginando que a boazinha da minha prima passou uma bolachinha para mim através da tela do chiqueirinho.
A próxima cena foi exatamente o que encontraram: um bebê de 6 meses (eu!), que mal ficava sentado sozinho, mergulhado com a cara e o nariz na bolacha e havia chocolate para todo o lado e por todas as partes do meu corpinho fofo. (Aí, bem feito, mãe, foi tirar um cochilo e aposto que teve que me dar outro banho depois).
A história não só é lembrada e recontada a cada encontro, seguida de gargalhadas, como foi determinante. Tudo o que acontece comigo, a explicação é a seguinte:
- Claro, depois daquela bolacha de chocolate que ela comeu aos 6 meses de vida...
E, com a minha prima, a mesma coisa:
- Claro, se ela passou uma bolacha para a Camila com 1 ano de vida, imaginem só do que é capaz...
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Tenho uma prima 6 meses mais velha do que eu. Quando tínhamos, eu e ela, respectivamente, 6 meses e 1 ano, as nossas mães resolveram nos levar para a praia durante as férias.
A gente devia dar um trabalho e uma canseira do caramba, pois as duas figuras maternas da história resolveram carregar um “chiqueirinho” (!!) para cada uma. Imaginem então o nível do porta-malas, da energia e do stress que os dois bebês elétricos deviam gerar.
Em uma tarde, deixaram cada uma no seu próprio chiqueirinho (fico só imaginando o desastre se a gente compartilhasse esse espaço tão lúdico e educativo...) e foram fazer alguma coisa, talvez tirar um cochilo, será?
A minha prima, no auge dos seus 12 meses, já consumia aquele veneno, como seria considerado nos dias de hoje, chamado bolacha de chocolate, do tipo recheada mesmo. O equivalente a uma Bono, imagino eu.
Então, para deixar as crianças alucinadas quietinhas, a minha mãe deve ter me dado uns tupperwares e suas tampas e a minha prima foi premiada com uma bolacha, cada uma no seu quadrado, of course.
As nossas mães imaginam (elas só podem imaginar mesmo, pois nos abandonaram num quadradinho para tirar um cochilo <-- modo dramática na mais alta potência!) que eu olhava a bolacha da minha prima e babava horrores, completamente hipnotizada pela visão e pelo cheiro daquela coisa redonda e marrom. Então, continuam imaginando que a boazinha da minha prima passou uma bolachinha para mim através da tela do chiqueirinho.
A próxima cena foi exatamente o que encontraram: um bebê de 6 meses (eu!), que mal ficava sentado sozinho, mergulhado com a cara e o nariz na bolacha e havia chocolate para todo o lado e por todas as partes do meu corpinho fofo. (Aí, bem feito, mãe, foi tirar um cochilo e aposto que teve que me dar outro banho depois).
A história não só é lembrada e recontada a cada encontro, seguida de gargalhadas, como foi determinante. Tudo o que acontece comigo, a explicação é a seguinte:
- Claro, depois daquela bolacha de chocolate que ela comeu aos 6 meses de vida...
E, com a minha prima, a mesma coisa:
- Claro, se ela passou uma bolacha para a Camila com 1 ano de vida, imaginem só do que é capaz...
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terça-feira, 31 de maio de 2011
Cerimônias
Eu me considero uma pessoa cerimoniosa. Ou melhor, extremamente cerimoniosa.
Desde o ano passado, estamos em uma maratona de casamentos que ninguém acredita, convites e festas todos os meses. Em maio do ano passado, foi um casamento a cada final de semana, até 2 na mesma data. Teve casamento fora de São Paulo e até em Roma! Não dá para achar ruim, muito pelo contrário!
Daí, haja vestido, bolsa, sapato, cabelo, maquiagem, presentes e logística para deixar as crianças, né?
Eu sempre fico tentando organizar a vida das crianças, costumamos mandá-las para a casa de uma avó ou outra, pois queremos aproveitar a festa, voltar tarde e dormir sem hora no dia seguinte, merecido. (Quem foi que disse que o máximo da balada depois da maternidade são os casamentos? Pois são mesmo e eu adoro!)
Então, observei as mais variadas formas de convidar as pessoas para uma festa de casamento. Basicamente, tem o convite que vem “Sr. e Sra. Fulano de tal”, o que significa que apenas o casal está sendo convidado. E há também o que diz “Sr. Fulano de tal e família”, o que inclui as crianças. Sempre, sempre, sempre respeitei o que dizia no convite. Já aconteceu de serem os noivos um casal próximo, que conhece e convive com as crianças, mas o convite se dirigia exclusivamente ao casal. Então, não levávamos as crianças, por motivos óbvios de educação e cumprimento do convite que nos foi enviado. Já recebi convite para a família toda, mas também optei por não levar as crianças, por não ser um horário apropriado.
Acho de extrema delicadeza “obedecer” o que é dito no convite, não apenas por educação, mas por respeito a quem está dando a festa. Há sempre uma questão de número de convidados, orçamento, espaço, redução e cortes na lista, ou pode ser que os noivos tenham planejado uma mega balada que não combina com crianças e não tem nada a ver levar os filhos. E tudo bem, sem problema algum. Essa sou eu: cerimoniosa, rígida, literal e chata com essas questões de convite, educação e a etiqueta toda envolvida.
Agora que as crianças estão na escola, cada um em uma turma diferente, temos recebido inúmeros convites dos muitos amiguinhos para milhares de festinhas. (De hoje até os próximos 10 dias, serão 4!).
E tenho adotado a mesma estratégia dos casamentos.
Hoje chegou um convite para o Pedro, apenas o nome dele no envelope. Portanto, serei eu e o Pepê. A mãe do amigo não tem as obrigações de (1) saber que o meu filho tem mais dois irmãos e (2) convidar a galera toda. Se a intenção fosse essa, mesmo sem saber o número de irmãos, teria escrito “Pedro e família” no envelope, mas não e tudo bem. Em proporções diferentes, festa infantil, especialmente em buffets, têm também a questão do número de convidados, orçamento e etc. Portanto, sigo à risca, cerimoniosa e literal que sou.
Falei tudo isso para chegar no ponto que eu queria. Chegou hoje o tal do convite, peguei na agenda e saí falando:
- Olha, Pepê, que legal, vai ter a festa do seu amiguinho, chegou o convite dele.
A Manu me olha e pergunta:
- É da classe dele, Mamãe?
Respondo que sim e ela retruca no mesmo instante:
- Então, você leva o Pedro e eu e o Joaquim vamos passear com o Papai.
Certinho. É assim que funciona pra gente. E para vocês? Como é?
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Desde o ano passado, estamos em uma maratona de casamentos que ninguém acredita, convites e festas todos os meses. Em maio do ano passado, foi um casamento a cada final de semana, até 2 na mesma data. Teve casamento fora de São Paulo e até em Roma! Não dá para achar ruim, muito pelo contrário!
Daí, haja vestido, bolsa, sapato, cabelo, maquiagem, presentes e logística para deixar as crianças, né?
Eu sempre fico tentando organizar a vida das crianças, costumamos mandá-las para a casa de uma avó ou outra, pois queremos aproveitar a festa, voltar tarde e dormir sem hora no dia seguinte, merecido. (Quem foi que disse que o máximo da balada depois da maternidade são os casamentos? Pois são mesmo e eu adoro!)
Então, observei as mais variadas formas de convidar as pessoas para uma festa de casamento. Basicamente, tem o convite que vem “Sr. e Sra. Fulano de tal”, o que significa que apenas o casal está sendo convidado. E há também o que diz “Sr. Fulano de tal e família”, o que inclui as crianças. Sempre, sempre, sempre respeitei o que dizia no convite. Já aconteceu de serem os noivos um casal próximo, que conhece e convive com as crianças, mas o convite se dirigia exclusivamente ao casal. Então, não levávamos as crianças, por motivos óbvios de educação e cumprimento do convite que nos foi enviado. Já recebi convite para a família toda, mas também optei por não levar as crianças, por não ser um horário apropriado.
Acho de extrema delicadeza “obedecer” o que é dito no convite, não apenas por educação, mas por respeito a quem está dando a festa. Há sempre uma questão de número de convidados, orçamento, espaço, redução e cortes na lista, ou pode ser que os noivos tenham planejado uma mega balada que não combina com crianças e não tem nada a ver levar os filhos. E tudo bem, sem problema algum. Essa sou eu: cerimoniosa, rígida, literal e chata com essas questões de convite, educação e a etiqueta toda envolvida.
Agora que as crianças estão na escola, cada um em uma turma diferente, temos recebido inúmeros convites dos muitos amiguinhos para milhares de festinhas. (De hoje até os próximos 10 dias, serão 4!).
E tenho adotado a mesma estratégia dos casamentos.
Hoje chegou um convite para o Pedro, apenas o nome dele no envelope. Portanto, serei eu e o Pepê. A mãe do amigo não tem as obrigações de (1) saber que o meu filho tem mais dois irmãos e (2) convidar a galera toda. Se a intenção fosse essa, mesmo sem saber o número de irmãos, teria escrito “Pedro e família” no envelope, mas não e tudo bem. Em proporções diferentes, festa infantil, especialmente em buffets, têm também a questão do número de convidados, orçamento e etc. Portanto, sigo à risca, cerimoniosa e literal que sou.
Falei tudo isso para chegar no ponto que eu queria. Chegou hoje o tal do convite, peguei na agenda e saí falando:
- Olha, Pepê, que legal, vai ter a festa do seu amiguinho, chegou o convite dele.
A Manu me olha e pergunta:
- É da classe dele, Mamãe?
Respondo que sim e ela retruca no mesmo instante:
- Então, você leva o Pedro e eu e o Joaquim vamos passear com o Papai.
Certinho. É assim que funciona pra gente. E para vocês? Como é?
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