quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Conceitos de matemática avançada para crianças

As crianças entraram naquela fase “agradável” de disputar quem aperta o botão do elevador que sobe para a nossa casa, que vai para o térreo e para a garagem. É uma verdadeira guerra e tive que bolar um revezamento de crianças apertando botão...

Como se não fosse o suficiente, o térreo é representado não pela letra “T”, mas pelo número “ZERO”. Daí, que criança é um bicho curioso e vieram me perguntar:

- O que é “ZERO”, Mamãe?

Justo pra mim, gente? Eu que já me declarei analfabeta em matemática? E eles querem que eu explique, defina, conceitue e exemplifique o “ZERO”? É sério? Juro que prefiro explicar o processo de “fabricação” dos bebês... Mas já que isso ninguém quer saber, vamos ao “ZERO”.

Falei que “ZERO” é nada e recebi olhares que me diziam “a gente é que não entendeu nada...”. Então, fui iluminada com conceitos que nunca haviam habitado a minha cabeça e uma didática invejável:

- Pedro, você usa vestido?

- Não, Mamãe!

- Então, quantos vestidos você tem?

- Nenhum!

Brilhante! Continuei:

- Então, se você não tem nenhum vestido, você não tem nada de vestido, “ZERO” vestido, entendeu?

E não é que eles entenderam? E gostaram da brincadeira? E até fazem por conta própria, representando o já famoso e conhecido “ZERO” com a mãozinha fechada.

Mas o melhor são os meninos para a Manu:

- Manu, você tem pipi?

- Não!

- Então, você tem “ZERO” pipi!

*****

Tô aqui preparando o meu currículo de professora de matemática para a educação infantil.



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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não acabe com o mundo inteiro do nosso quintal!

Outro dia, os meninos vieram mega empolgados me contar a história de uma super aventura e me dei conta de que tratava-se de um episódio dos Backyardigans. Manuzinha se deu conta ao mesmo tempo que eu e fez questão de estragar a brincadeira:

-Ai, meninos, não é nada disso! Os Backyardigans não fizeram essa aventura, eles só imaginaram! Eles brincam no quintal e inventam essas histórias.

Nem sou fã dos Backyardigans, gosto de algumas coisas do desenho, mas acabar com a magia do "temos o mundo inteiro no nosso quintal" desse jeito, não se faz, Manu!

(Espero não escrever um post no final desse ano contando que a minha filha revelou aos irmãos mais novos a verdade sobre o Papai Noel...)



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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O triste fim de um ser da natureza (?)

Desde que a Manu participou do projeto "Abelhas e Formigas" na escola, tornou-se uma verdadeira protetora dos animais. Isso foi notado quando surgiu uma formigona dentro de casa, Joaquim e Pedro correram, cada um foi buscar o seu chinelo e estava prontos para o ataque até que a mocinha do Ibama se manifestou:

- Nããããããããooooooo mata a formiga, ela é da natureza!!

Um dos assassinos de insetos respondeu:

- É, mas se ela tá dentro da nossa casa, não é mais da natureza!

Poft! Poft! Poft!

Fim da história e da formigona.



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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sobre as atividades escolares e os talentos individuais

No último dia de aula das crianças, sempre recebo os relatórios e as pastas de atividades feitas por eles durante todo o ano letivo. Confesso que sou fã de tudo isso e “ataco” o material com uma voracidade quase infantil.

Nsse ano que passou não foi diferente, da mesma maneira que me surpreendi com os meus filhos, coisa que acontece ano após ano.

Se antes eu apreciava um monte de rabiscos, achava tudo lindo e pendurava as atividades pela casa, nesse ano as coisas tomaram forma, principalmente para o Joaquim e o Pedro.

É incrível ver como esses dois menininhos gêmeos univitelinos têm os seus talentos e interesses tão opostos e definidos.

O Pedro se revelou um verdadeiro artista, com uma habilidade motora impressionante, capaz de representar o que deseja e observa. O que mais me chamou atenção foram os dois desenhos da família que ele fez.

O primeiro (foto acima), feito no dia 07/12/2011, inclui os cinco membros da nossa família, muito bem representados, definidos e diferenciados pelas cores e tamanhos, que parecem representar os gêneros feminino e masculino. Reparem como o pai e a mãe (em vermelho e azul) são maiores com relação aos filhos (Pedro em verde, Manu em laranja, Joaquim em azul). Mais interessante ainda é ver que ele se colocou sozinho ao lado do pai e a da mãe, uma daquelas coisas que Freud explica...

O segundo desenho da família (foto a cima) foi feito apenas dois dias depois do primeiro e tem outros aspectos interessantes, mas o principal deles é a figura do pai no centro do papel e em tamanho privilegiado, diga-se. Ah, e lá em cima, no canto direito, ele fez um cachorro, que disse também fazer parte da nossa família. Ainda não conheço esse bichinho de estimação, nunca vi por aqui e pretendo, honestamente, não conhecê-lo.

Como se isso tudo não bastasse, o menino Pedro pega diariamente a sua pasta de atividades, tira uma por uma de dentro, me mostra, me conta o que é cada uma e vai espalhando de maneira ordenada no chão da sala. E assim fica tudo, ninguém pode mexer ou tirar do lugar, ele diz que é a sua própria “exposição de arte”.

Então, temos o Pedro com talentos artísticos, deve ter puxado o tio designer ou a avó decoradora, só pode, porque de mim e do Maridinho, a contribuição artística é abaixo de zero!

O Joaquim, em um lado oposto, trouxe para casa em sua pasta inúmeras colagens. De palito de sorvete, de forminha, de formas e de uma série de materiais diferentes. Mostrou uma por uma me dizendo que havia feito um número. O moleque sabe tudo: se colou 4 palitos de sorvete, diz que fez o número quatro. Se colou 5 forminhas, fez o número cinco e assim por diante. Ou seja, o meu filho é um gênio da matemática! Tenho certeza de que será um engenheiro do mais absoluto sucesso, o responsável por projetar e construir os estádios de futebol mais modernos e bem feitos da história para a Copa de 2030, quando ainda for um estudante da melhor faculdade de engenharia do mundo!

Podem anotar, ele nem vai estar formado ainda e vai ser referência em engenharia. Ah, e se descobrirem, anotem também: esse talento para as ciências exatas veio de onde?? De quem? Não identifiquei...



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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

UM OBJETO ESTRANHO DENTRO DO NARIZ

Imprevisibilidade é o nome e o sobrenome da maternidade.

Manuela é um doce de menina, delicada ao extremo, mas outro dia surpreendi a menina estapeando o irmão na cara. Os meus filhos nunca morderam ninguém e nunca foram mordidos, mas, também outro dia, peguei o Pedro mordendo o Joaquim, coisa que aconteceu duas vezes no mesmo dia! E o moleque se justificou dizendo que “não era mordida, era um carinho de pizza” (taí um raciocínio difícil de entender e acompanhar!).

Os meus filhos nunca foram de enfiar “objetos estranhos” no nariz, nos ouvidos, ou seja, em lugares inapropriados, até ontem! Para resumir, Joaquim estava brincando com um Lego e uma pecinha muito, muito pequena “foi parar” dentro do nariz da criança. Ele não estava sozinho e a coisa toda aconteceu em frações de segundos. O rapaz estava calmo, apesar de espirrar feito o maior dos alérgicos e dizia com a maior firmeza e segurança que tinha uma pecinha em seu nariz.

Eu olhava, olhava, na luz, com o menino de ponta cabeça, mas não via nada. E ele continuava dizendo que a peça estava lá. Fiz o menino assoar o nariz umas quinhentas vezes e a peça permanecia imóvel, segundo o relato dele.

Na hora me bateu um desespero que me tirou o chão e levou para bem longe a minha capacidade baixa de raciocínio. Daí, tive uma idéia brilhante: levá-lo ao pronto-socorro do hospital mais próximo. Então, me dei conta de que estava na hora da saída da escola nova da Manu, em pleno segundo dia de aula. Como é que eu ia levar um filho ao pronto-socorro para resgatar o Lego e buscar uma filha no segundo dia de aula na escola nova? Dá para entender que o chão se abriu e o meu cérebro parou de funcionar, não dá?

Por sorte, a minha mãe estava em casa e se ofereceu para ir buscar a Manu. Então ela me perguntou:

- Como é que eu chego lá, filha? Eles vão me entregar a Manu, ou você precisa dar uma autorização?

Eu não conseguia nem explicar o caminho da escola nova e nem achava o telefone da bendita para ligar e autorizar uma avó de buscar a netinha. Enfim, contei até uns 600 mil, consegui achar um telefone daqueles com quatro zeros no final, foram me passando de um ramal a outro, até que falei na educação infantil e resolvi.

A situação já estava tensa o suficiente, mas só para mim, aparentemente, já que o Joaquim resolveu fazer cocô antes de sair de casa e praticamente leu todos os jornais da semana no trono de tanto que demorou. Nesse meio tempo, tive outra idéia brilhante: ligar para a pediatra! Foi a segunda grande luz do dia (depois explico qual foi a primeira!).

A fofa me explicou que não adiantava levar no PS. Imaginei que lá eles tirariam um raio X do narizinho perfeito do meu filho, encontrassem o Lego e o retirassem através de um procedimento cirúrgico delicado, arriscado e grave (hello, drama!). Ela me mandou ir ver uma otorrino que seria a melhor pessoa para avaliar a situação e me orientar a conduzi-la apropriadamente.

*****

O meu banheiro tem uma iluminação poderosa e planejada, coisa digna de camarim das modelet´s do SPFW e nunca foi usada de acordo com o projetado, já que eu não sou top model e prefiro manter o look básico das olheiras forever. Mas eu sabia que aquela frescurada toda seria útil algum dia, é claro: me ajudaram a enxergar uma pecinha muito pequenininha e pretinha devidamente instalada lá em cimão do nariz do meu Quiquim. (Captaram a primeira grande luz do dia??).

Liguei para a pediatra de novo:

- Achei! Achei! Tô vendo a pecinha no nariz do Joaquim! Vou pegar uma pinça e tirar, ok?

Fui proibida de tocar na pinça, pois ela poderia empurrar o Lego para dentro, a pecinha pararia no pulmão, causando tosse e vômito e hello, procedimento cirúrgico delicado, arriscado e grave! Ou seja, corre para o otorrino.

Correr para o otorrino às 5 e 15 da tarde de São Paulo, com ameaça de chuva forte é uma questão, essa sim, delicada. Mandei o Joaquim interromper a leitura do último caderno do jornal do dia, arranquei o rapaz do trono e lá fomos nós! Eu demorei mais de 1 hora para chegar, gente! E só pensava nesse menino que poderia aspirar a pecinha, levá-la para o pulmão e ter uma crise de tosse e vômito no carro, sozinho comigo, no trânsito e na chuva.

Mas, ele entrou no carro e dormiu, capotou! Foi dormindo até a otorrino, respirando lindamente, como eu podia bem observar naquela situação de trânsito caótico.

Chegando lá, foi relativamente simples. Uma tesourona bem comprida com uma pinça na ponta trouxe de volta a peça do Lego. Voltamos para casa com o brinquedinho cheio de meleca e apenas uma receita de Rinosoro para cuidar do arranhãozinho interno.

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E eu só fico pensando que se ele tivesse escolhido uma peça branca ou de cor mais clara, teria sido possível enxergá-la com mais facilidade, adiantando todo o processo e até me permitindo ir buscar a Manu na escola nova no segundo dia de aula.

Foi uma descarga de adrenalina digna de um salto de pára-quedas. Eu detesto esportes radicais, desses que te jogam de um avião em queda livre, ou mesmo saltar de uma altura absurda presa apenas por um elástico, passo tudo isso, obrigada. Prefiro me aventurar na radicalidade da maternidade.

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Mas, e vocês, tudo bem?



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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Falando de trabalho

Volta e meia rolam umas conversas de profissões aqui em casa e as crianças falam o que querem ser quando crescerem.

No atual momento, Manuela quer ser manicure e massagista, Joaquim quer ser pai e o Pedro, um pingüim (oi??). Com exceção do Joaquim, não exercemos nenhuma influência nas decisões “profissionais” das crianças. Manuela vai tirar um troco fazendo unha e massagem nas madames, Pedro vai alegrar os visitantes do zoológico e o Joaquim, coitado, muita despesa, preocupação e noites em claro. Mas importante mesmo é que eles sejam felizes, não é isso que toda mãe quer para os seus filhos?

Daí, flagrei uma conversa deliciosa entre os três irmãozinhos, iniciada pelo Joaquim:

- Quando eu crescer, eu vou ser um pai e vou ter um filho Pedro e uma filha Manu, porque eu amo muito o Pedrinho e a Manu.

Vejam a sinceridade da resposta do Pedro diante da declaração de amor do irmão:

- Quiquim, eu também te amo muito, mas o meu filho vai chamar “pinguinzinho”, porque eu vou ser um pingüim quando crescer.

*****

E corri para o banheiro, para cair na gargalhada trancada e sozinha, sem atrapalhar o papo todo...



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