quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Manuela vive sonhando!

Eu fiz o meu caminho e as minhas escolhas na Faculdade de Psicologia seguindo os sonhos. Não esses bestas dos Concursos de Misses, mas os sonhos mesmo, os que nós sonhamos durante o sono, as chamadas “atividades oníricas”.

Adoro ouvir os sonhos alheios e tentar interpretá-los, fiz muita terapia sem nem falar de pai e mãe, mas só com o meu caderninho de sonhos. Ele ficava na minha mesinha de cabeceira, era a primeira coisa em que eu encostava quando acordava e já ia logo fazendo as anotações sobre a noite anterior para poder levar na minha terapia. O caderninho era hiper-ultra secreto, mais do que todas as minhas agendas e diários, já que eu acredito com todas as minhas forças o quão revelador um sonho é.

Daí, eu tive uma filha e depois mais dois filhos e o meu sono nunca mais foi o mesmo. Para lembrar dos sonhos, tem que dormir de verdade por um bom tempo, sem ficar acordando de hora em hora ou no susto. Portanto, amigas, a conclusão triste é de que eu não lembro mais dos meus sonhos e daí tenho que ficar falando de pai e mãe quando me deito no divã.

Para a minha alegria, a Manu sonha um monte. Às vezes, tem pesadelos, o que me obriga e ir dormir junto com ela, mas, de forma geral, ela sonha muito e fica maravilhada com a própria capacidade de produzir imagens e histórias tão fascinantes!

Eu me delicio e posso ouvir os sonhos da minha filha o dia inteiro, coisa que ela faz sem que seja necessário pedir. Repete os sonhos ao longo do dia, para todo mundo que passa por perto e inclui sempre os mesmos detalhes. (Só que se ela soubesse a “profundidade reveladora” dos sonhos, faria como eu e anotaria em um caderninho com cadeado!).

Outro dia, acordou falando que um índio queria colocar fogo no ombro dela e que a minha irmã a salvava. Teve uma história de ir a uma loja de relógios com os padrinhos, ganhar um adesivo da Cinderela para colar no relógio, mas o tal adesivo era muito grande e teve de ser cortado na metade. Também teve um enxame de abelhas que ameaçava picá-la dentro de casa. O mais recente foi com o Mogli, aquele menino-lobo, que estava cozinhando macarrão dentro de um saco de pipoca.

Sabe aquela pessoa que fala sobre as novelas como se fosse a vida real? Essa é a Manu com os seus sonhos, ela tem certeza de que se trata da realidade. Eu dou corda, quero saber mais e vivo soltando os meus “Jura?” quando ouço os relatos dos sonhos (viajantes!) da minha filha e morro de fofura quando ela me responde:

- Juro, Mamãe! Tava tudo escuro no meu quarto, mas eu vi aqui no meu olho!



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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BABY-FREE

A minha casa tem se tornado, a cada dia mais, um território “baby-free”. Não tem berço, cadeirão, banheirinha, carrinho, paninho de boca, bodies, mordedor, chocalho ou protetor de quinas. O que sobrou mesmo são as chupetas dos meninos para a noite, a fralda noturna, a lembrança de uma região abdominal mais firme e as lembranças de quando os três eram bebês, é claro.

Quanto às chupetas, deixo nas mãos do Papai Noel, às fraldas noturnas, nas mãos de Deus e à barriga, hello, Dr. Hollywood! A verdade é que quando uma filha ensaia com sucesso, em caderninhos mil, a sua escrita espontânea e os meus filhos vem me atualizar sobre o SPFC e o Campeonato Brasileiro, cadê bebê???

São lembranças, muitas, boas e absolutamente cor-de-rosa, gente! Como é que pode? Há um tempo relativamente curto, eu era uma mãe fresca, tive gêmeos com uma diferença de tempo muito pequena com a minha mais velha e só lembro de como era bom e delicioso ter bebês em casa. Aquela alegria de brincar no chão o dia todo, bebezinhos gorduchinhos, bochechudos, simpáticos, risonhos, cheirosos, engraçadinhos. Quem disse que eu lembro dos choros? Das cólicas? Das noites em claro? Do meu cansaço? Do consumo altíssimo de fraldas descartáveis? De atividades intestinais explosivas a cada meia hora? Dos babadores encharcados? Lembro nada! Ou melhor, até lembro, assim meio nostálgica, com um sorrisinho de canto de boca, como se fosse tudo muito fácil e tranqüilo.

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Tenho 4 pessoas próximas que estão grávidas, devem ter combinado, engravidaram tudo no mesmo dia e os 4 bebês nascerão em janeiro. Dois meninos e duas meninas. Eu estou seriamente pensando em desistir do projeto férias de verão com as crianças e me voluntariar ao cargo de baby-sitter dos meus “quadrigêmeos” (vejam o nível da loucura!). O pior mesmo é ter que me controlar diante de estranhos e não pedir para carregar no colo aquele bebezinho lindo, que eu nem conheço, diga-se, só para ajudar aquela pobre daquela mãe tentando pagar as compras da farmácia, do supermercado e etc (vejam o nível da loucura 2!).

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De maneira geral e a muito grosso modo, dizem os psicanalistas que nós temos um HD interno que guarda todas as nossas lembranças, fatos, memórias e acontecimentos da vida. Sejam eles bons ou ruins, tá tudo lá, em pastas invisíveis, mas tudo lá. Ainda de maneira geral, é o conteúdo desse HD o grande responsável e “determinante” pelas pessoas que seremos, os traumas, fobias, somatizações e etc que teremos.

O meu vizinho de cima tem um bebê pequeno, bem do tipo que eu preciso me controlar para não agarrá-lo de tanta fofura quando nos encontramos no elevador (o bebê, não o vizinho). Pois esse moleque passa umas noites na maior inspiração, aos berros no volume máximo. E é nessa hora em que eu acordo suando frio e com o coração no nível bateria de escola de samba.

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Diz aí, não são bem espertinhos esses psicanalistas???



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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O começo de Dezembro

Dezembro começou de manhã cedinho, com a triste notícia de um falecimento na nossa família. Eu tinha um dia todo planejado e tive que replanejá-lo por conta de velório, enterro e rodízio. Até aí, tudo bem e fácil, a parte complicada é a das crianças, que entre horários de escola, ida à casa de um amigo e vinda de uma amiga em casa, também queriam montar a árvore de Natal e não sossegaram enquanto não me viram completamente enrolada e atrapalhada com as luzinhas.

Dezembro é um mês cão. Falam mal de agosto, mas Dezembro é muito pior. São milhares de providências, pendências, ajustes, compras, trânsito, confraternizações e um certo preparo tanto para a chegada do Natal, quanto para receber o Ano-Novo. Não acho fácil e acordei no dia 1º. de Dezembro com uma notícia triste, o corpo todo doído e travado sem qualquer motivo aparente, além da chegada do último mês do ano.

Até a Fátima Bernardes cansou de apresentar o Jornal Nacional e de chegar tarde em casa. Eu também tenho três filhos e me dou o direito de ficar cansada. Ok, ela trabalha, eu não. Mas ela deve ter um mega-staff, e eu, não. Portanto, estamos praticamente em pé de igualdade, ou seja, muito cansadas.

Demorei séculos para chegar no velório, debaixo de uma chuva absurda. Demorei mais séculos para voltar, debaixo de mais chuva e na guerra contra o rodízio. No meio disso tudo, tive o meu tempo para chorar e lavei a alma. Por uma tia querida que havia partido, pelo meu cansaço, pela raiva do trânsito e da chuva, pelo começo de dezembro, pelo fim de um ano bom, pela proximidade de um novo ano incógnito, chorei, chorei e chorei, um vexame muito particular, sem nem lencinho para enxugar lágrima alguma.

Cheguei em casa, Manuzinha tinha trazido uma amiga para brincar com ela. A primeira coisa que fez foi apresentar o nosso presépio de papel, que veio em um desses livrinhos sobre o Natal e havia sido montado de manhã.

Ela contou, do jeitinho dela, a história do nascimento do menino Jesus e apresentou todos os personagens representados naquela cena: Maria, José e os Reis Magos. E, nessas horas, a gente chora também: de emoção, de admiração e de sensação de mais uma missão cumprida!



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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CONCURSO: MINHA GELATINA

Eu não sei se vocês se lembram, mas contei aqui sobre a Minha Gelatina, a novidade super saudável da Dr. Oetker. Se você não se lembra e está com preguiça de clicar no link, posso repetir a novidade:

“Eu me lembro bem de curtir, aproveitar e comer bastante gelatina quando era criança. Aqueles milhares de cores diferentes, dava para escolher cada dia um sabor, uma cor, ou misturar e fazer tipo uma “salada de fruta” de gelatina! Boas lembranças da infância!

Daí, tive os meus filhos e queria repetir com eles esse “amor pelas gelatinas”, mas fui alertada pelo pediatra de que, com o passar dos anos, a gelatina produzida industrialmente e consumida hoje em dia não é igualmente saudável e nutritiva quanto a que eu comia. Uma pena! As gelatinas comuns carregam corantes, açúcar e conservante em excesso!

A sorte é que eu acabei de descobrir a Minha Gelatina, um produto desenvolvido pela Dr. Oetker especialmente para o público infantil! E a vantagem é que a Minha Gelatina não contém corantes artificiais, é adoçada com açúcar orgânico e feita à base de frutas e vegetais. Querem mais vantagens para se jogar na Minha Gelatina? Ela é fonte das vitaminas A, D, B1, B2, B6, Ferro, Zinco e de colágeno, que tem baixo teor energético. E, por último, as deliciosas opções de sabores: abacaxi, morango e uva.

Vamos devorar e nos lambuzar com uns potinhos coloridos de gelatina na companhia dos filhotes??

Para saber mais, é só acessar e fuçar o site da Dr. Oetker (www.oetker.com.br)”.

Eu recebi um super kit de produtos Dr. Oetker aqui em casa: uma ecobag linda, com um conjunto de potinhos coloridos e todos os sabores da gelatina. Criancinhas se esbaldaram e não sobrou nada, além da bolsa e dos potinhos, é claro, para contar a história. Mas, tudo o que é bom, a gente quer oferecer para os outros, portanto vocês também podem ganhar um kit lindo e delicioso da Dr. Oetker.

É muito simples! Basta responder à pergunta: “QUAL GESTO OU FRASE DO SEU FILHO FOI MAIS MARCANTE PARA VOCÊ E POR QUÊ?”.

A Oetker e eu escolheremos as duas participantes mais inspiradas que receberão em casa os seus kits.

1, 2, 3 e já! Valendo!

Respostas e emails para contato nos comentários, ok? Não se esqueçam de que as participações serão válidas até o dia 09/12, sexta-feira que vem. Boa sorte a todas!



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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Olha, parece Paris!!

Sou cidadã americana por pura falta de estudo e televisão. Meus pais se casaram e resolveram fazer um mestrado nos EUA. Como se vê, nas horas vagas, não queriam estudar mais e nem deveriam ter TV, então, eu nasci! Foi na Carl Clinic, uma dessas clínicas para estudantes universitários. (Caso interesse, nasci de parto normal sem anestesia, depois de quase 24 horas fazendo mamãe sofrer).

Quatro meses depois, em uma data histórica, no dia da morte do John Lennon, os meus pais estavam de malas prontas para voltar ao Brasil. O meu pai trazia na bagagem o título de mestre em Direito Comparado e a minha mãe, coitada, trazia uma mala de fraldas descartáveis, já que esse artigo bebezístico era puro luxo em terras tropicais. Meu pai deve ter achado a própria mulher uma louca, mas eu teria feito pior: traria meia dúzia de malas abarrotadas de fraldas descartáveis!

Uns cinco anos depois, eu já tinha uma irmã dois anos mais nova, o estoque de fraldas descartáveis não existia mais, mas ainda faltava o título de mestre da minha mãe. Então, ela resolveu voltar para os EUA, estudar e terminar o mestrado.

Obviamente, não foi uma decisão fácil ou tomada do dia para a noite. O título de mestra custaria à minha mãe uma temporada de 4 meses longe das duas filhas e do marido. Mas ela foi buscar o seu ouro e nós ganhamos uma temporada com os nossos avós, já que o meu pai tinha que fazer valer o seu próprio título de mestre e não daria conta de tudo (os homens que me perdoem, mas dar conta de tudo é uma exclusividade feminina!).

Portanto, lá fomos nós morar num interior bem pertinho, o que permitia ao meu pai ir passar todos os finais de semana conosco. Alem dessa mudança, ganhamos uma nova escola, um novo clube, muitos novos amigos e a convivência mais próxima com os nossos primos queridos.

A verdade é que hoje eu poderia ver essa situação toda com o maior drama do mundo, mas tenho excelentes memórias e lembranças da época, até saudades.... Mas o detalhe que realmente importa para esse post é de que não havia tinha telefone à vontade como se tem hoje em dia, era caro e raro, portanto a visita do carteiro era digna de recepção real.

Através de cartas semanais, cartões inesquecíveis da tradicional Hallmark, envelopes coloridos recheados de fotos do campus e daquela cidadezinha universitária perto de Chicago, eu acabava me sentindo mais próxima da minha mãe e da vida que ela tinha longe de nós.

Fico imaginando como a minha mãe sobreviveu tanto tempo longe da família, a uma distância física que até me parece maior pela ausência de certos recursos tecnológicos (se alguém merece um Oscar, é o Mr. Skype!).

Recentemente, fui presenteada com o diário que a minha avó escreveu sobre esses meses que moramos com ela. É uma lembrança divina, deveria ser lida por toda a família, depois emoldurada página por página e exposta em algum museu muito importante.

Engraçado ver como a minha avó era uma grande observadora, pois além de relatar a quantidade de banhos que nos deu durante esse período (freak?) ela sempre me descrevia como uma menina brava e mal-humorada...

Mas, enfim, hoje, como mãe, me emocionei um montão com a leitura do diário e posso imaginar o que ele significou para a minha mãe naquela época.

Eram esses os recursos que pais e filhos dispunham para matar as saudades e imaginar o que o outro estava fazendo em um país tão, tão distante. Cartas, diários e cartões, muito lindo, quase poético.

*****

Ano passado, Maridinho e eu fizemos a nossa grande viagem desde que tivemos os nossos filhos. Foram 16 dias na Europa e reservamos uma semana para ficar em Paris, que foi o que mais despertou o interesse e a curiosidade das crianças, especialmente da Manu.

Eu tirava fotos durante o dia e tinha que mandar pra ela à noite, pois, assim, Manuzinha "viajaria" junto comigo e conheceria as mesmas coisas que eu.

Quando nos falávamos pelo Skype, ela mal olhava na minha cara, só olhava em volta, para saber onde eu estava, que lugar era aquele, o que tinha no meu hotel e etc. E, desde então, Paris é o maior sonho de consumo da minha filha, aquela que é a última (e única) das românticas de 4 anos de idade.

*****

Tudo isso para contar que estávamos indo para a praia, nada romanticamente excepcional, apenas o litoral norte paulista. Na descida da serra, já de noite, ela olhava serra abaixo e via as casinhas iluminadas, até que fala num tom de suspiro:

- Olha, parece Paris...

Maridinho pergunta:

- Você já foi pra Paris, Manu?

- Não....

- Então, como você sabe que parece Paris?

- Ah, Papai, porque eu vi no Ratatouille....

A coitadinha viu São Vicente lá de cima e se lembrou de Paris, aquela cidade muito, muito longe, que só os pais vão e que a ela só resta imaginar a partir de um rato cozinheiro e daquele corcunda que mora em uma enorme catedral....

*****

(Esse post não é um publieditorial, mas pode ser, caso a Air France ou qualquer outra companhia aérea que faz São Paulo - Paris, se interesse).



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