quinta-feira, 16 de junho de 2011

Decepção X Frustração

Me lembro do primeiro comentário da minha mãe quando contei que eu fumava, aos 18 anos e me achando super adulta:

- Ai, filha, não acredito... Você tinha um cheirinho de bebê tão gostoso, me lembro até hoje... E agora vai ter cheiro de cigarro?

Acho que esse não foi um dos muitos marcos para a minha mãe de que o bebezinho dela havia crescido. Tenho certeza que um filho não precisa ter 18 anos e começar a fumar para a mãe perceber que ele cresceu, não é isso. Mas acho que foi uma sensação de decepção.

Minha mãe devia me perfumar aos montes, como eu faço com os meus filhos e sigo sentindo o cheirinho deles onde quer que eu vá. Ás vezes, o cheiro nem existe, é puramente psicológico. Sabe quando a gente sente o cheiro de alguém ou de alguma coisa na nossa cabeça?

Mas, no meu caso com a minha mãe, ela perdeu o controle, não havia perfume que pudesse combater o cheiro do cigarro e nem proibição que me fizesse parar de fumar. (Não é assim que pensa uma adolescente no auge da independência e da liberdade dos 18anos?).

A minha sensação na época foi exatamente essa: da decepção. Ela não brigou, não fez sermão e nem acho que adiantaria, mas a decepção ficou no ar e é isso que eu me lembro até hoje.

Então, resolvi pensar na minha decepção com os meus filhos.

Zero. Nada. Nenhuminha.

Será que eu entendi certo? Será que eu decepcionei a minha mãe quando resolvi me revelar uma fumante? Será que eu a decepcionei em outros momentos? Será que os filhos crescem e ficam nos decepcionando por aí?

Acho que a gente precisa tomar cuidado com a diferença entre decepção e frustração. Frustração é ter ou criar uma expectativa (“que o meu filho seja um médico de sucesso!”) e o filho não corresponde (“o meu filho faz artesanato para vender na praia”). Para isso, há solução: não crie expectativas. Parece impossível, mas não é, ou melhor, não crie expectativas muito altas ou inatingíveis (“o cara nunca sentou a bunda para estudar por 15 minutos, como é que pode passar num vestibular concorrido como o de Medicina?”).

Mas a decepção é diferente, não depende de expectativa, eu acho. Decepciona não receber um beijo e um abraço de parabéns um filho no dia do aniversário. Isso é até óbvio de que deve acontecer. A expectativa não correspondida e que gera frustração é achar que o seu filho preparou uma festa surpresa linda para comemorar o seu aniversário com os melhores e mais queridos amigos e toda a família. Daí, ele vem com uma velinha num cupcake e você se frustra. Mas, veja bem, quem mandou você esperar a tal da festa surpresa? Daí, você se frustra, mas não se decepciona. A decepção seria não receber nem parabéns.

Dá para entender ou viajei muito no assunto?

Mas, e daí, decepção, frustração e filhos: como é? Existe? É real? O que vocês acham?

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13 comentários:

sweetmorrisom disse...

Nossa, Camila!Vc foi no ponto!Entendo perfeitamente o q disse.Acho q nós Mães,Pais,Filhos, enfim...vivemos criando expectativas para com as pessoas q nos cercam e as vezes recebemos um gesto de amor q foi o máximo q a pessoa pôde nos dar naquele momento e não nos sentimos felizes por não ser aquilo q esperávamos. Devemos nos policiar para não esperarmos o IMPOSSÍVEL e sim nos alegrar com o q foi POSSÍVEL de quem nós tanto amamos! Bjus... Meg Lima

Di Leão disse...

É issooo nao ficar na expectativa é nao se iludir, quando os filhos sao bebes nao esperamos nada deles e eles nos dao muito amor e sempre vem com coisas que nos surpreendem nos enchem de orgulho, nao é por que eles crescem que vamos ficar sonhando imaginando coisas...no a expectativa.
Viver cada minuto sem esperar nada...
com filhos marido amigos....

bjokas

paulavillela disse...

Um senhor treinamento este, pois acho que expectativa é inerente ao ser humano... Mas pela saude psicologica de nossos filhos e nossa, principalmente, este é um exercício diário. Um leão por dia!

Cappelli disse...

Camila, a decepção nada mais é que um mal planejamento da expectativa rsrsrs.

Abs

www.etudoaoquadrado.blogspot.com

Dê Freitas disse...

Como mãe, creio que ainda levarei um tempinho para me frustrar e decepcionar. Aliás, honesta e ilusoriamente espero que isso nem aconteça (posso?). Mas eu lembro que nunca levei uma palmada da minha mãe, meu maior medo era ver a cara de decepção dela.

bjs,

Luciana - Descobertas disse...

Decepção, frustração, filhos , mães, tudo existe e é real.. Acho que depende da perspectiva mesmo que você falou. Das expectativas enfim... Mas fiquei pensando e o que fazer com para não se decepcionar?

hum? hum?

Vamos pensar um pouco mais sobre isso?


Bjos

Sara Lima Saraceno disse...

Por enquanto só experimentei a frustração, especialmente porque minha filha não se alimenta direito... ai vou eu, toda animada, e invento alguma coisa crente que ela vai adorar e... Nada!! Mas é como vc falou... eu que criei a expectativa...
E as festinhas da escola? Sempre uma surpresa, né?? A gente espera, espera, espera aquele momento e ai, na hora H, não vai...

Mas faz parte!!
:)

Bianca disse...

Camila, ótimo post!!!Eu acho que a frustração anda lado a lado com a maternidade, afinal é o momento em que muitas das nossas convicções vão por àgua a baixo. Mas tb acho que vamos aprendendo com o tempo, ainda mais com eles maiorzinhos tem que aprender a relevar muita coisa, senão realmente piramos.
Eu tb tive a mesmíssima sensação quando minha irmã me "dedou" para minha mãe que eu estava fumando, mas aí tb com os adolescentes... difícil não decepcionar com uma coisa aqui e outra ali, né?? Acho que o lance é torcer para termos pouquíssimas decepções...
beijos
Bianca

Gleice disse...

Eu sou a decepção da minha mãe! srsrsrsrs
É claro que a minha mãe nunca disse isso abertamente, mas eu tive certeza disso quando eu resolvi que iria cursar Letras e ser professora (a minha mãe é professora de História e dá aulas pelo Estado de SP há anos e sonha com a aposentadoria desde o ano passado)e ela fez o seguinte comentário: - Mas professora filha?

Sei lá, acho que ela espera qualquer outra coisa de mim, mas jamais trabalhar como "sofredora" (professora).

As mães criam expectativas e se frustam muito porque projetam sonhos em cima dos filhos quando na verdade são os filhos que deveriam sonhar e não o contrário.

Eu vejo que os pais se frustam menos. No meu círculo de amizades eu nunca vi um pai reclamando que sonhou algo, mas o filho tomou um caminho oposto.

Será que criar expectativas e se frustrar é coisa de mãe ou eu estou enganada?
Bjo.


PS: Cê ainda fuma?

Mariana - viciados em colo disse...

ih, camila,
costumo dizer que na adolescência os filhos são estranhos que moram com os pais. com esta premissa acho que não vou me frustrar com meus filhos, mas acho que quanto mais eles crescem mais nos decepcionam, enquanto são crianças podem voltar atrás, mas quando viram adolescentes e adultos jovens é decepção e frustração certas.
estou falando no geral, porque nunca me senti decepcionada nem frustrada com meus filhos.
me lembro de um dia que me surpreendi com um atitude de alice, não combinava com ela, com o que ensinamos, com a nossa visão de mundo: conversamos e ela voltou atrás. acho que se fosse adolescente, não voltaria. entende?

beijoca

Celi disse...

Camila,
Frustração, decepção, expectativa acredito que fazem parte de qualquer relacionamento onde há um elo muito grande de conhecimento de um sobre o outro, de uma relação próxima demais. Infelizmente o ser humano às vezes espera muito das pessoas e, no caso, as mãe imaginam e idealizam o melhor. Sonham com uma postura para os filhos. Se não acontece, já viu...
Mas ainda bem que os laços familiares falam mais alto nesse momento.
O que podemos fazer? Cuidar dos nossos filhos! Não criarmos tantas expectativas e vivermos cada momento, sem pensar muito adiante (o que é difícil demais) rs
Beijos
Ah, que honra...adorei que deu uma passadinha no meu blog. Fiquei muito feliz com o comentário.

Juliana Ramos disse...

Nunca tinha pensado nisso... mas concordo!

É bem isso mesmo, é só não esperar demais!

Como fazer isso? Vai de cada um...

Eu tive um leque de possibilidades infinitas no quisito profissão, por exemplo.
Não sei se frustrei meus pais escolhendo me dedicar ao sapateado (arte não valorizada no nosso país).

Eles SEMPRE me apoiaram, isso é fato.
Mas eu nunca fui amiga dos estudos, e ter uma irmã CDF/advogada, com certeza não foi um páreo fácil.

Mas acredito, e vejo, que eles curtem o meu sucesso, e ficam felizes em saber que eu sou feliz e AMO o que faço.

É por aí...

Se eu ver os meus filhos felizes (mesmo que vendendo artezanato na praia) vou ficar feliz.
Parece demagogia, mas é pura verdade!!!

Adorei o texto!!!

ps.: sobre fumar, eu acho que não foi tanta decepção, pelo fato de os dois serem fumantes invetarados.

Fabiana Pereira disse...

Existe sim e voce só vai sentir quando eles agirem por si. Quando estiverem adultos, pensando,agindo sozinhos.
Acho que é normal ficar decepcionado com quem a gente ama as vezes.
Não vale ficar magoado, mas decepcionado é coisa da vida.

 
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