quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Joaquim enjoento

Eu costumava passar férias e feriados na casa de praia dos meus avós em Ubatuba e o “programa” da ida incluía uma paradinha no final da serra para que eu pudesse vomitar. Não tinha acordo, assim que as curvas terminavam, eu já estava verde de tão enjoada e vomitava. Não sei se na época não existia Dramin ou se a minha mãe era contra mesmo, mas o fato é que as viagens sempre me enjoavam. Durante muito tempo foi assim, daí passou. Acho que enjoei o suficiente durante as duas gestações e fui poupada de enjoar mais. Ainda bem.

Teve uma vez em que a minha mãe propôs uma viagem bem no estilo aventura para as férias de verão. A aventura incluía dormir em sleeping bags. Eu ganhei um azul-marinho lindo, me lembro dele até hoje. Achava aquilo simplesmente o máximo do espírito aventureiro! Daí, encaramos uma viagem de carro relativamente longa em uma estrada de terra terrível, muito esburacada. E eu ia lá olhando para fora (me diziam que não olhar para dentro do carro evitaria os enjôos) até que não deu: vomitei um monte em cima do meu sleeping bag azul-marinho novinho! Me lembro tanto dele... pré e pós vômito. Imagino que a minha mãe deve ter abandonado aquele sleeping bag no meio da estrada de terra e me colocou para dormir sei-lá-onde, não sei mesmo, não me lembro, Freud explicaria o bloqueio dessa lembrança.

Pois o Joaquim é igualzinho a mim. E eu sou idêntica a minha mãe. (Freud ri em seu caixão nesse momento, é claro!). Quer dizer, não exatamente. O Joaquim fez o maior estrago no nosso carro nesse último fim de semana ANTES mesmo das curvas da serra. Eram jatos e mais jatos de uma substância das mais nojentas que eu já presenciei. Não sei explicar direito, mas tinha milho e casca de ameixa.

Não é a primeira vez em que isso acontece, para ser exata, é a terceira. Incluam aí mais uma vomitada da Manu e entendam o meu carro como um meio de transporte batizado em larga escala. Não sei que destino ele terá, já que as lavagens mais poderosas e os aromatizadores de ambiente não nos permitem virar essa página.

E eu comentei que sou idêntica a minha mãe, o Freud tá lá naquele “hummm... fale mais sobre isso...” e eu conto. Tirei o menino Joaquim todo vomitado do carro, peguei a primeira coisa que encontrei, umas mantinhas, e iniciei a missão limpeza. Tudo isso se passou no acostamento no pé da serra, visualizem... Entendi que seria impossível e gritei para o Maridinho pegar uma roupa limpa para ele na mala. E é nessa hora que você se acha estúpida por querer ser prática e fazer uma única mala para os três filhos, pois ele só achava umas roupinhas cor de rosa para o meu vomitadinho. Muita humilhação para um menino só em tão curto espaço de tempo!

Daí, ele achou uma bermuda azul marinho, um moleton da mesma cor, arranquei aquela roupa toda vomitada, junto com as duas mantinhas, deixei o meu filho pelado no acostamento escuro e vesti uma roupa monocromática, porém limpa.

Portanto, se alguém encontrar umas mantinhas e um pijama vomitados no pé da serra, a culpa é minha! Abandonei tudo lá e só pensava no sleeping bag azul-marinho. Mas, isso foi a dignidade que o momento exigiu. Porque abandonar carro, cadeirinha e filho não pode, né?

Por favor, entendam, se eu recusar uma carona a alguém, você já sabem o motivo. Não é nada pessoal, é vexatório mesmo!



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11 comentários:

Carol Garcia disse...

kkkk....
desesperador porém engraçado.
eu não tenho lembranças de momentos vomitísticos nem meus, nem do meu irmão.
Já isaac vomitou N vezes no meu carro, em mim, em casa, nos brinquedos.
primeiro com o lance do refluxo, depois com o nojinho, enjooos e etcs.
e vamos que vamos, pq mãe, né? não tem nojo de nada.

bjo bjo bjo

Francine Barrionuevo disse...

Nossa...fiquei imaginando a cena...
O Felipe uma vez vomitou em jato no carro também, imagina o cheiro de leite azedo a viagem inteira. Também olha que burra a mãe dele que dá mamadeira pro menino antes de sair pra viajar. Merecia a lição né!!??

bjos

http://amaequeeuseiser.blogspot.com/

Amanda disse...

Oi Camila!

Leio diariamente seus posts, e me identifiquei muito com o de hoje, eu tb enjoava quando criança, mas não era nas viagens longas não, era num simples passeio de visita a minha avó que morava no interior, lembro que ao chegar na casa dela antes mesmo dos cumprimentos eu corria pro banheiro, para a sorte dos meus pais... Hoje na duvida levo sempre na bagagem dos meus meninos o Dramim, vai que um deles puxou pela mãe... Bjus

Re disse...

Puts, passei por isso esse final de semana com a Manu...ela estava linda, toda arrumadinha, indo pra um cha de bebe. De repente a tosse, um barulho estranho e um choramingo. Parei o carro na hora, e qdo vi, ela, o bebe conforto, e todo o banco traseiro do carro sujos de vomitos. Primeira vez que ela tinha vomitado. Limpei ela com a fralda, abortei a missao do cha, liguei pro marido avisando que estava voltando. Imagino que esse tenha sido o primeiro de muitos...

Mônica Lourenço disse...

kkkkkkkk
Eu sempre fui bem enjoenta e enjoada, sabe daquelas que não pode ver ninguém vomitando que vomita junta? Olhou... Blergh!
Mas Deus em sua sabedoria imensurável me curou na adolescência, ainda amis porque o Tuco nasceu com refluxo severo e vomitava milhões de vezes por dia!!!!! (Imagine se eu vomitasse junto? Ó céus, ó vida ó azar!) Depois do primeiro ano tudo passou e nunca mais vimos vômito pela frente, acho que a família deve ter uma cota básica e a minha já estourou! A gente anda de carro pelas serrar, viagens de 6, 7 horas e ninguém mais enjoa... Dramim psicológico!

Lu Poggi disse...

Oi, Camila, adoro seus textos!

Eu fui uma criança vomitenta tb.!
Viajava com toalhas de banhos do lado, para as emergências e meus pais faziam paradas estratégicas na estrada.

Espero que a pequena não seja igual!

Bjs.

Renata Marques disse...

Tenho uma que vomita sempre, mas já sabe prever e vomitar dentro do saco (tem 6 anos), o que eu fazia era andar com um baldinho dentro do carro quando ele era mais nova, era mais fácil de segurar, e quando a viagem era maior que 15 km, Dramin nela.
Não pode faltar no carro lenços umedecidos, toalha de rosto, garrafa de 5 litros com água, uma muda de roupa (fica sempre no carro), rolo de papel toalha, spray multiusos, saco de lixo. É um kit de sobrevivência na estrada, rsrsrs.

Celi disse...

Camila,
Toda essa história me fez lembrar da minha infância. Não podia entrar no carro para viajar que já começava a passar mal. Sempre vomitava horrores, até que minha mãe descobriu o santo Dramin. Um dia viajei com meus pais, tomei Dramin e quando chegamos no hotel em Minas ainda estava com o efeito e queria só dormir. Então, eles foram jantar e fiquei no quarto do hotel com meu irmão. Conclusão: nós dois dormimos e deixamos meus pais do lado de fora. Tiveram que chamar o gerente do Hotel para abrir a porta com outra chave rs
Agora, quero só ver com meus filhos. Um beijo e bom ar para seu carro. Beijos

Natalia L. P. de Almeida disse...

hahahhah... esse foi ótimo, amei, Camila... Sabe que o Gabriel tem a garganta sensível (?!) e qq coisinha dá ânsia de vômito e o refluxo é imediato. Limpar vômito é uma chatice grande. Fico chateada às vezes pois o bebê comeu toda aquela comidinha nutritiva às custas de boas incentivadas e uma boabagem faz vomitar depois. AAf.. em relação à enjôo de estrada, essa soa eu aqui em casa. Ainda mais agora com bebezinho novo na barriga, quase no quarto mês.
Um grande beijinho pra vcs!

Juliana Cidade disse...

rsrsrsrs
Entendo perfeitamente, eu mesma já joguei fora umas cuecas sujas de cocô daquelas que você jura que não adianta lavar.
Bjs,
Ju.

Priscila, mãe do Imperador disse...

HAhahahaha! No mínimo comico! Eu sou dessas que vomito pra caramba! É cada uma né... Dramim no Joaquim na próxima viagem! rsrsr

 
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