sexta-feira, 23 de julho de 2010

O assunto das palmadinhas...


Bom, e essa história agora da lei da palmada? Eu já estava acompanhando o assunto, digerindo a matéria de capa da Revista Veja (obrigada, Veja!! Sempre boas pautas e grandes assuntos para serem comentados aqui!) antes de escrever algum post no blog.

A verdade é que me vieram milhares de pensamentos e idéias e ainda fico um pouco confusa sobre como me posicionar a respeito desse assunto. Mas, vamos lá, vou tentar.

Em primeiro lugar, acho que essa lei não vai pegar. Não entendo nada de como as leis são feitas e aprovadas, mas acho que é uma furada. Simplesmente, porque a fiscalização da lei e fazê-la valer, “pegar” realmente é muito difícil. Acho, o que é pior e mais triste, que ela pode virar uma arma poderosa nas disputas pela guarda das crianças, gerando uma exposição tão ou mais violenta que uma palmada.

Segundo lugar: tenho a impressão que a lei foi criada na intenção de não deixar passar nada, da palmadinha ao espancamento, visando a total proteção das crianças. A gente vive vendo casos terríveis de agressão às crianças, me gela a espinha só de pensar. Lembram daquela promotora maluca (to say the least...), Vera Lúcia Gomes, que adotou uma menininha de 2 anos? Ela sofreu não apenas agressões físicas, mas verbais também. E qual é a lei que pode proteger crianças desse mal?

Humilhações, chantagens e xingamentos são formas (comuns) de agressão capazes de gerar danos terríveis nestes pequenos seres humanos ainda em formação. Dá para imaginar?? E quem fiscaliza e protege disso? Tem lei?

Mas, a discussão que a lei traz é boa. E polêmica. Porque, na verdade, é uma lei que quer interferir nas condutas de educação que as famílias brasileiras adotam em casa.

Caaaaalma, não estou justificando espancar o próprio filho dentro de casa e “tudo bem, o filho é meu, o problema é meu, lei nenhuma tem a ver com isso”, não é nada disso.

Mas a Veja levanta a questão da “palmadinha pedagógica”, adotada por muitas famílias.

Lembrem ou imaginem o seu bebezinho, com uns 8, 9 meses, engatinhando pela casa. Encontra uma tomadinha. Põe o dedinho. Mamãe diz “não”. Vai lá de novo. Mamãe repete: “nãããoo”. Mais uma vez. E, lá vem a mãe: “nãããããooooooooo!!!”. Uma hora cansa e a gente começa a contar até 1,367,098 para se acalmar, educar o bebezinho e evitar que se machuque. Em um caso como esse, a psicóloga Marilda Lipp, em declaração para a Veja concorda que “o castigo físico aceitável e educativo é aquele que não machuca, apenas estabelece uma comunicação imediata e põe a criança em estado de alerta para entender o que é certo. (...) A palmada deve ser usada quando a criança se expõe a situações de perigo, não entende algo que já foi explicado verbalmente muitas vezes ou desrespeita e agride de maneira muito acintosa os pais ou outras pessoas. A palmada passa a ser um problema quando se torna a principal forma de comunicação dos pais com os filhos.”

Mais ainda, conversar e explicar é ótimo, mas segundo uma outra psicóloga, Jonia Lacerda, também consultada pela Veja, “a criança de até 5 anos ainda não tem plena capacidade intelectual para entender conceitos abstratos. Para ela, a linguagem corporal, muito mais direta e clara que a verbal, pode ser mais apropriada em algumas situações”.

Imaginem só a mamãezinha explicando o caminho percorrido pela eletricidade, até chegar naquela tomadinha e eletrocutar o bebezinho insistente? Não dá, né?
Eu sempre fui muito contra qualquer tipo de agressão física, acho que não conseguiria dormir à noite, mas ao ler essa matéria da Veja, fiquei assim menos “horrorizada”. Isso não signifique que eu vá saindo por aí distribuindo “palmadinhas pedagógicas”, não é o meu jeito de educar, só que agora enxergo com outros olhos essa questão, a partir de justificativas claras e coerentes dadas por especialistas.

Aqui em casa, acabo tendo que chamar muito a atenção das crianças, especialmente para resolver conflitos entre eles. Quando eles se excedem, tiro da brincadeira o que mais aprontou, falo sério, mudo o tom de voz e deixo sentado ao meu lado no sofá, por exemplo. Procuro fazê-lo entender que esse tipo de comportamento não é aceitável e, se ele insistir nessa atitude perderá alguma coisa, no caso, o momento da brincadeira. Eles entendem. Funciona. Mas, volta a acontecer e lá vou eu fazer tuuuuuudo de novo.

Com a Manu, a estratégia é bem mais fácil. Como ela ama fantasias, coroas e vive fantasiada, quando apronta, chamo a atenção e digo que se voltar a acontecer, ela terá que tirar a fantasia. Ela vai lá e insiste, daí eu tiro a fantasia. Funciona que é uma beleza! Ela vira uma seda depois e não há nenhum tipo de agressão envolvido.

No fim, voltamos a questão do bom senso. Lembram? O médico proíbe severamente o danoninho, para que assim a mãe da criança lhe dê apenas um no final de semana. O governo vem com uma lei dessas para evitar histórias bárbaras de agressão às crianças, mas uma “palmadinha” corretiva e pedagógica pode. Pode??

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7 comentários:

Lana disse...

É, Cá, realmente esta questão é bem polêmica. Acho que é uma bola de neve, e eles acabam se apegando a pontos que não resolvem a questão como um todo.
No caso da promotora maluca (que, diga-se de passagem, é um monstro disfarçado de idosa perua), tudo poderia ter sido evitado se a lei de adoção no Brasil fosse mais severa e melhor elaborada. Não é um pontinho que vai evitar todas as catástrofes contra os pequenos (que me revoltam de tal forma que até perco o sono).
Eu também não uso agressão física nem palmadinha pedagógica com a Gi, mesmo que "naõ" signifique "sim" para ela. É tudo uma questão de conversa e de mostrar que fiquei muito chateada e decepcionada com a atitude dela. E ela sempre vem toda meiga, fazendo carinho rs Acho que isso sim dá certo!

fernanda disse...

Menina! Imagine sua filha por pura birra pega sua máquina fotográfica, ou seu celular, e joga looooooooooooooooonge, só porque você quer ver como saiu a foto ou até mesmo quem está ligando? Pois Luísa fez isso, e, falo sério, não dá pra explicar nada nessa hora, a não ser dar-lhe uma palmada sim na mão dela. Já fiz isso uma vez, não acho certo, mas escapou. E sabe o que? Não fez mais tal coisa. Complicado isso!! Amei seu texto. Vou falar sobre ele no meu blog. Beeeeijo
Fe

Di disse...

Ah Camila, também achei essa lei bem controversa... Fico sempre com medo mesmo de como as coisas são redigidas na hora de se fazer as leis. Vamos lembrar ai que é tudo muito subjetivo, vai de caso a caso e lei não é, e nem pode, ser assim. Lei é uma só. E o problema disso, aqui no Brasil, masque parece estar mudando, é o bom senso dos juizes em dar a sentença. Não sou a favor de palmadas... Mas tenho esse mesmo medo que você citou de como isso pode ser usado em disputas em guarda de crianças e etc E não é que a legislação não existe, nostemos o estatuto da criança e do adolescente! Não é por falta de lei que essas coisas acontecem, é cultural, é falta de educação e de informação, é uma pessoa ter mais medo de perder o emprego e aceitar o abuso de uma criança.

Letícia Volponi disse...

Olha, eu não acho que a lei seja o caminho, mas confesso. Sou 100% conta qualquer tipo de agressão (física ou verbal) e também não concordo com palmada nenhuma. Um olhar e uma entonação firme sempre funcionaram por aqui. Outro segredo é não usar a palavra "não" porque os bebês não sabem interpretá-la. Basta dar ordens afirmativas. Em vez de "não ponha a mão aí", diga "tire já a mão daí"

LUA disse...

Polemica total.Sou uma advogada aspirante digamos assim, uma bacharel recem formada,e mãe, concordo com vc no que diz respeito a fiscalização da lei.Definitivamente, acho que "lei não vai pegar", mas de certo traz uma discussão necessária!

Só as mães são felizes!
www.coisa-de-mae.blogspot.com

Georgia Di Natale Belloc disse...

Camila, estou conhecendo seu blog hj, por indicação da Ana Luisa!!! Parabéns por seus textos e por sua foto na Veja!!
Este é um assunto que gera muita polêmica entre meu marido e eu!! Ele concorda, entre aspas, com as palmadas educativas e eu não!! Detalhe: eu já dei mais palmadinhas do que ele, vê se pode!! Ele é super equilibrado! Fiquei muito, mas muito feliz que esse assunto está, pelo menos, ocupando um pouco de espaço no cérebro dos brasileiros. Tenho a esperança que todos tenham um pouco mais de receio de fazer algo daqui pra frente (pode ser pura ilusão minha, mas...) e estou pensando naqueles desgraçados que espancam mesmo - nossa! como dói pensar nessa cena! - Resumindo: Sou a favor da Lei, mesmo sabendo que posso ser presa qualquer hora dando uma palmadinha... acho que isso já está me policiando, completamente!! Pode não haver fiscalização, mas há uma "culpa" que sempre vai existir... Quero perder essa cultura herdada e intrínseca na minha genética. Admiro quem nunca deu uma palmadinha (se for realmente verdade!) e creio que o suposto objetivo está sendo atingido, pelo menos comigo, de alertar a todos os adultos a terem mais inteligência emocional e menos "preguiça" de educar um filho. Um tapinha dói SIM!!!

Magali disse...

Oi Camila!
Adoro teu blog, teus textos, tuas opiniões sempre sensatas e teus filhos lindos!
Quanto a esse assunto eu concordo plenamente contigo, guria! Eu não mudaria uma vírgula!
Adoro entrar aqui, só não comento porque me identico tanto com os textos que só fico concordando, concordando e concordando! rsrsrsr

Beijão!

 
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