quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sobre as propagandas destinadas ao público infantil

Atenção: post longo e polêmico. Fiquem à vontade para discordar e para apresentar considerações não incluídas no post. Porém, vamos manter o respeito e fugir do anonimato, pode ser? Combinado?

Atenção 2: por favor, procurem me entender: eu não sou favorável ao consumismo infantil. Não gasto à toa para mim ou para os meus filhos, não acho que qualquer passeio signifique um presentinho, mesmo que seja uma coisa boba e baratinha. Inclusive, depois que tive os meus filhos, sei muito melhor o valor das coisas, como o dinheiro deve ser gasto e investido. Isso é um princípio da nossa família e tentamos atuar como exemplos para as crianças nesse sentido.

Bom, mas andei vendo uma movimentação para a proibição das propagandas voltadas ao público infantil e gostaria de me manifestar. Não quero discutir o nível apelativo do conteúdo dos comerciais, não é por aí, mas concordo que há muitas propagandas, muitas mesmo, em volume absurdamente excessivo destinadas às crianças com o objetivo único de consumir, comprar e gastar dinheiro.

Os meus filhos descobriram o Cartoon Network. Inicialmente, só assistiam à Discovery Kids, mas daí, não sei quem contou da existência desse outro canal e agora só querem saber do Cartoon. De cara, foi um choque! A programação é voltada para crianças mais velhas, passam desenhos de lutas, bem mais agressivos do que os programas da Discovery. Assistir aos Backyardigans pode ser extremamente irritante, assim como muitos outros desenhos com musiquinhas repetitivas e que não saem da cabeça, mas prefiro mil vezes isso ao Ben 10!

Além desse choque, teve um outro: a quantidade de propagandas. Brinquedos e produtos mil, que passam e repassam um milhão de vezes ao dia, o que faz os meus filhos, obviamente, pedirem para que eu compre tudo e repetirem jingles e slogans das marcas (confesso que isso eu acho até engraçado!).

Mas nada disso me faz querer lutar pela proibição desse tipo de propaganda. Essa não é uma causa que eu queira abraçar ou gastar as minhas energias lutando por ela. A minha briga é outra, que acontece diariamente e de maneira ainda mais intensa: brigo pela educação.

Se o mundo da publicidade movimenta milhões com os investimentos das empresas de bens de consumo, azar o deles! Não é por eles acharem que o público infantil não tem discernimento nenhum e que as crianças são consumidores vorazes, pois vão ficar martelando na cabeça dos pais que precisam ter todas as 67 Barbie´s exibidas nas propagandas, que eles vão me vencer. Eu vou educar os meus filhos e ensiná-los com outros valores e princípios, de que eles não precisam de tudo isso e tentarei (com unhas e dentes!) embutir esse discernimento na cabeça deles.

A gente põe filho no mundo e o mundo se apresenta aos pequenos com tudo o que tem de bom e de ruim, em milhares de diferentes influências. As propagandas são exemplos dessas influências e acho impossível e indesejável eliminá-las totalmente da vida de qualquer um de nós. Nem o que é bom ou o que é mau, tá tudo aí, direto, na nossa cara. Eliminar o que é ruim ou que não é bem-vindo me parece superprotetor e também fujo disso. Prefiro educar, porque o mundo é assim mesmo, conformem-se. Há coisas feias e bonitas e há situações muito mais saia-justa do que dizer “não” (e explicar os seus motivos) a um filho que quer comprar o milionésimo carrinho do McQueen.

Eu odeio a Xuxa e o Chaves, isso não entra na minha casa em hipótese alguma. Os meus filhos conhecem a Xuxa e o Chaves? Óbvio que sim! Alguém mostrou isso pra eles lá fora nesse mundão. Eu fico brava com isso? Não. Apenas deixo muito claro para eles que eu não compro produtos e DVDs da Xuxa e não assistimos ao Chaves no Cartoon. Quando começa a porcaria mexicana, mudo de canal e fim. E não é porque eu odeio a Xuxa e o Chaves que vou sair fazendo campanha para os filhos dos outros de que eles também não devem assitir a esses programas ou comprar os brinquedos licenciados pela Xuxa. Eu não tenho esse poder. Eu acho isso autoritário. Quem sou eu para querer ditar regras para o que acontece com os filhos dos outros em suas respectivas casas? Eu não tenho direito a essa interferência. Me restrinjo a educar os meus filhos sobre o que eu acho bom ou ruim e só.

Um aspecto temido por mim e por muitas mães de meninas é o da erotização precoce, que é bastante explorada nas propagandas. Eu não permito nem sapatinhos de brilho, com saltinho, então, menos ainda! E, novamente, explico e educo sobre o assunto. Isso não se vê só nas propagandas, não. Uma vez, os olhinhos da Manu brilharam ao ver uma criança toda produzida com salto, maquiagem e bolsa no shopping e ela me perguntou se também poderia sair daquele jeito. Eu disse que não. Ela quis saber os motivos da mãe da menina deixar e da mãe dela, não. Expliquei que criança é criança, quando ela crescer, vai poder usar salto e maquiagem. Ah, e a mãe da menina que deixa? Expliquei que é problema dela, que cada mãe deve saber o que é melhor para o seu filho e não cabe a mim ditar regras para as mães das mini-peruas. Eu posso expressar a minha opinião, mas interferir nas outras famílias, não. Afinal, quem é que gosta de pitaco sobre como educar e criar os filhos, hein?!

Se a gente for pensar bem, quem sustenta a programação da televisão são as próprias propagandas. Tirou as propagandas? Acabou a novela e a transmissão do futebol! No caso da Discovery e do Cartoon, pior ainda! Estamos falando de dois canais da TV a cabo, ou seja, para ter acesso a eles, é necessário que se pague. Daí, a escolha é muito pessoal, paga quem quer. Se você não gosta, não assine essa TV paga. Se também não gosta da TV aberta, ponha limites, diga o que pode ou não, controle o conteúdo, ou seja, o árduo trabalho da educação.

A briga é grande e, praticamente, invencível. Continuo batalhando pela educação dentro de casa, com as crianças que são da minha responsabilidade.

Pensando melhor, as propagandas são exemplos explícitos, mas pensem nos supermercados. Eles são totalmente organizados de maneira que os consumidores de todas as faixas etárias consumam ao máximo. E cadê campanha contra a organização propositalmente voltada ao consumo dos supermercados? Nunca vi. Aliás, vou muito ao supermercado com as crianças e eles me pedem absolutamente tudo o que veem pela frente. Todos os bolinhos, bolachinhas, suquinhos e pãezinhos que oferecem brindes ou estampam os personagens queridos nas embalagens. Isso entra no meu carrinho de compras? Não. Outro dia, o Joaquim observava com muita fascinação os produtos nas gôndolas do supermercado e falou assim:

- Mamãe, não é verdade que você não compra o pãozinho do personagem X porque é ruim e não faz bem?

É exatamente isso. Uma criança de 3 anos não precisa saber de calorias, açúcar e sódio. Eu apenas digo que não compro o pão do personagem por considerá-lo ruim, mas compro outro que é mais gostoso e saudável. E ponto final. Sem crise ou escândalo de criança no corredor do supermercado.

Na mesma linha de raciocínio, nunca vi manifestação nenhuma contra aquela linha de shampoo que é anunciada por uma top model brasileira (linda de morrer, diga-se) e milionária. Ou vocês acham que as propagandas atingem só o público infantil? E que essa marca de shampoo não tá rachando de vender toda a sua linha de produtos para os cabelos por conta do contrato estratosférico com a top model? Pra cima de mim, não, eu não compro, pois sei que nunca terei aqueles cabelos...

E, até onde eu sei, ninguém se manifestou contra esse tipo de propaganda, que afeta adultos, teoricamente educados e com discernimento, mas que ainda consomem o shampoo na expectativa de ter cabelo de top model.

No fim das contas, esse tipo de manifestação - contrária às propagandas - me parece bastante perigoso e autoritário, porque substitui a liberdade e a responsabilidade de cada pai por leis (burocratas de Brasília!!!) que querem dizer o que é bom para o seu filho. Acredito que a televisão ocupe um espaço maior do que deveria na vida das crianças de hoje em dia. Uma grande babá eletrônica, digital e com imagens em Full HD, mas a responsabilidade pelo conteúdo assistido, ainda é dos pais. Sim, dá mais trabalho, mas ainda bem que é assim.



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32 comentários:

Renata disse...

Boa postagem, nos lembra que o botão on/off foi feito para ser usado. Temos opções não é, então podemos escolher se vamos comprar esse ou aquele produto. Mas é chato a pessoa pagar a tv por assinatura e ainda ter uma enxurrada de publicidade principalmente em épocas onde o apelo comercial é maior (dia das crianças vem aí). Enfim, como você disse, a responsabilidade é dos pais.

Anna Paula MG Cruz disse...

Camila eu penso como você. Aqui em casa minha filha simpliesmente não assiste a programação da tv. Assiste dvds. Foi a maneira que eu encontrei de livrá-la, pelo menos por enquanto, de tanta informação sem sentido.

Também acredito que tenha muita gente que precisa dos comerciais para sobreviver. Já é uma batalha perdida. O negócio é, nós mães, direcionarmos as crianças para um consumo consciente.

Orientar o que é bacana e quando é que pode ganhar. Também não sou 100% contra os produtos. Os olhos da minha pequena também brilham quando veem alguma coisa de um personagem querido, mas, temos os nossos combinados. Não vai ganhar presente sempre que sair de casa.


Vai ganhar quando e o que papai e mamãe puderem comprar. Um monte de gente não gosta de datas comemorativas, porém, aqui em casa uma ótima oportunidade de controlar os impulsos dela, é explicando que no dia das crianças, daqui uns dias, ela vai ganhar tal brinquedo que quer.

Celi disse...

Muito bem Camila... também acho que não dá para tirar da frente das crianças o que consideramos incorretos e incoerentes para a idade deles. Temos mesmo que ter princípios e valores. Acreditarmos no que consideramos melhor para o filho, para a própria família.
Uma vez dando aula um pai chegou e questionou profundamente o livro que o filho tinha escolhido para levar para casa. Era um livro de uma escritora bem conhecida, porém falava de assalto em casa. O pai achou o livro totalmente inadequado. Falou que o filho deveria ler, levar para casa livros que suscitassem a imaginação de coisas boas. A criança tinha 5 anos de idade. Entendi perfeitamente, porém falei que ele teria que saber o que é um assalto, que um dia precisaria conversar com ele e que nem tudo na vida são flores.
Então, acho que depende realmente da conduta de cada família. Tem famílias que preferem esconder, tirar da frente, tem famílias que preferem explicar e compartilhar os prós e contras.
Uma ótima discussão!
Beijos

DANY disse...

bom dia Camila

na minha casa assistimos tv apenas para ver noticias não assisto novela pq não gosto, meus flhos,são tres, simplesmente não assistem a programação da tv, justamente por causa das propagandas, eles conhecem os personagens dos DVD´s q assitem, e ja ganharam roupas e brinquedos de personagens de tios e tias e eu permito q brinquem, pq não acho q poderei protege-los d tudo sempre Essa é uma questão de educação para o consumo consciente, eu assumi esse compromisso com meus filhos e orientarei para que sejam cidadãos conscientes com o consumo, a responsabilidade é de cada familia.
Parabens pelo post e eu não te odeio viu, te admiro muito

bjus Daniela (@dannioliv)

gisele disse...

Oi, Bom dia!

Hajo da mesma forma com meus filhos. Dentro de casa só tem aquilo que eu acredito ser ser importante e bom pra eles. Na escola eles convivem com todo tipo de criança,escola particular, aí conhecem as outras coisas, chegam contando em casa e a gente discute o lado positivo e negativo do assunto.
Eu acho q nessa primeira infância a gente deve só mostrar coisas boas pra eles, muní-los de bons exemplos, boas atitudes e consciência. Assim eles terão uma base sólida e forte de coisas boas pra quando, no futuro se depararem com o mundão do jeito que ele é e de tudo que há nele!
Bjos, adorei o post!

Carol Garcia disse...

excelente, camilitcha!
concordo.
não adianta meter a boca na televisão se o papel de educador não é feito corretamente.
cada um sabe o seu limite e o limite que deve colocar para seu filho, sua família.
a televisao está lá e vc não é obrigada a ve-la.

bjocas

Sylvia disse...

Postagem maravilhosa!!! Aqui em casa nem coloco no Cartoon por achar os desenhos horriveis e no Discovery kids por conta das propagandas. Curtimos o Nick Jr. que não tem propaganda nenhuma e os desenhos são para crianças pequenas como a minha. Também acho que é função dos pais ensinar o que é certo ou errado, educar mesmo. E cada família tem que saber o que é melhor para si. Beijos mil

Fabiana Alvim disse...

Camila, seu post mexeu comigo! Não tinha ainda pensado assim por esse lado... só repudiava e pronto. Mas é fato... não gosto pq me dá "trabalho" mesmo!rs
Mas o mundo é isso mesmo e as coisas ruins podem ser pauta para mais um módulo na educação das minhas filhas.
Que eu seja capaz de transmitir bem esses valores!
Beijos

Mariana - viciados em colo disse...

mais uma vez, respeitosamente, discordo de você, camila!

sou publicitária e como tal sei bem o poder de uma boa propaganda, com ou sem crítica e reflexão por nossa parte. especialmente quando esta propaganda é dirigida a crianças pequenas que tem muita dificuldade em separar o que é programa (a história) do que é propaganda.

também evito canais recheados de propaganda, reflito junto com minha filha continuamente sobre brindes oferecidos com alimentos pouco saudáveis. essa é a minha atitude individual diante do caos que vivemos.

o ESTADO existe também, em tese, para para proteger os interesse dos cidadãos e não vejo nenhum cidadão interessado - nem os mais consumistas - em formar filhos consumistas. e é isso que estamos formando coletivamente.

você e eu temos capacidade de controlar o que os filhos assistem e refletir junto com eles sobre as mentiras e os apelos - nós somos maioria e fazemos isso porque é a única coisa que podemos fazer.

porém a massa de mulheres que saem às 05h e voltam às 20h, tem pouca escolaridade, pouco poder de reflexão e de luta diante dos desejos que são criados cotidianamente na mente dos seus filhos.

sociedade CAPITALISTAS mais desenvolvidas E igualitárias, onde direitos são garantidos, proíbem ou limitam a publicidade dirigida ao público infantil e o Brasil está muito atrasado nesta caminhada, estamos formando hordas de pessoas consumistas e violentas, porque eu e você somos apenas boas exceções.

sou a favor sim da proibição de propaganda dirigida ao público infantil, como sou a favor da proibição de programas policialescos (que exibem tiroteios, cadáveres, brigas e baixarias) no horário do almoço e no final da tarde.

uma coisa é a notícia, outra é o espetáculo no que até ana maria braga anda transformando as misérias humanas.

o sinal de TV é um sinal público e necessita sim estar de acordo com as necessidades coletivas, que para mim é educação, cultura, entretenimento e informação de qualidade.

para mim um bom caminho do meio seria colocar um alerta igual ao dos medicamentos e das bebidas alcoólicas depois de cada propaganda infantil. já estaria de bom tamanho: "o ministério da comunicação adverte, este proudto pode causar consumismo, frustração e sensação contínua de vazio"...

beijoca

Mariana - viciados em colo disse...

onde digo: "nós somos maioria e fazemos isso porque é a única coisa que podemos fazer"

quero dizer MINORIA

Ana disse...

Não acho que proibindo os filhos de assistir televisão por conta de propagandas adianta muita coisa. Logo eles entram na escola e ficam sabendo pelos amiguinhos de todos os brinquedos e personagens que o mercado tem a disposição e começam a pedir em casa. Meu filho ainda não tem dois anos, raramente assiste tv, as vezes ela até fica ligada no Discovery Kids ou na cultura, mas ele não dá muita bola, ve uns minutos e logo volta a brincar. Mas é claro que vai chegar a hora que os desenhos vão chamá-lo a atenção e os comerciais mais ainda! Mas concordo com vc, a educação tem que vir de casa, dos pais. Tbém não sou contra as propagandas, até mesmo pq somos uma família de publicitários e vivemos isso todos os dias na agência. Bjos

Ana Lu disse...

Ei, Camila. Eu tenho 19 anos e estou um pouco longe de ser mãe ainda, mas sabe que já tinha lido por aí dessa questão de querer proibir as propagandas, e não concordava muito com isso, mas nunca tinha parado pra pensar o porquê. Você falou TUDO. Os pais querem cada vez mais se eximir da responsabilidade de educar, e preferem lutar para proibir tudo o que pode ser ruim, ao invés de "perder tempo" ensinando eles mesmos que aquilo é ruim, mas que seus filhos não precisam seguir.
MUITO bom seu ponto de vista, e foi muito bom tê-lo exposto assim. Quem sabe não muda a cabeça de muita gente?
Beijos

Priscila disse...

Concordo com tudo e mais um pouco!! A responsabilidade é nossa como pais em educar e dizer e mostrar o que é certo e o que é errado!

Priscila Nascimento disse...

O mais árduo nesta tarefa é reeducar a babá, sim pq as queridas são instruídas por nós pais a não permitir que a criança passe o dia assistindo estas porcarias, mas quando chegamos em casa o que constatamos é o inverso. Daí se instala o pânico, o medo ou sei lá o quê. Estamos estudando (eu e o pai) a melhor estratégia de acabar com isso.

ATENÇÃO: estamos aceitando casos resolvidos como sugestão...rs

maededudu.blogspot.com

bjos!

Marina Breithaupt disse...

Camila, adorei.
Eu luto pela educação finaceira aqui em casa. Eles podem ver e até querer muitas coisas, mas ensino o que é útil, o que é necessário e o que é bobeira que logo eles não irão querer mais.E é uma luta muitas vezes. Aqui não se ganha presente por motivo nenhum e nem recompensas por bom comportamento ou notas. Acho que isso é obrigação dos pais ensinar e não domar como cachorros que se fizerem algo creto são recompensados com coisas gostosas, por exemplo. E sabe que fico muito feliz quando vejo o brilho no olho da minha filha por ter conseguido ao que desejava bastante e como ela dá valor para as coisas que não vem com tanta facilidade.

bjos

www.petitninos.com

Genetriz disse...

Oi Camila!
puxa, não poderia concordar mais.
Às vezes, temos a ilusão de que as corporações de entretenimento estão realmente preocupadas com as crianças. Não, elas procuram lucro por meio dos anunciantes. E, tudo bem, este é o objetivo delas e não há nenhum drama nisso.
Já educar é objetivo nosso.
Acredito que que o aprendizado parte sempre de problemas, de desafios que se colocam aos pequenos. Logo, se suprimirmos esses desafios e problemas não estaremos educando, mas só superprotegendo, não é?
Abraços,
Rafaela

Camila disse...

Mari, essa questão de sermos uma minoria capacitada com esse discernimento é fato. Concordo com vc. E não vejo problema nesses avisos nas propagandas, como vemos nas de bebidas alcóolicas e de cigarro. Mas, ainda assim, sou contra a proibição e a favor da educação em todos os sentidos e para tudo o que pode ser prejudicial. As propagandas são, como eu disse, um exemplo explícito e fácil de atacar. O papel do Estado, nesse sentido e na minha opinião, deve ser limitado. Não acho que eles devem regulamentar sobre o que passa ou não na minha televisão. Acredito na liberdade, cada família deve escolher o que assistir, por quanto tempo, o que comprar e etc. Essa interferência me incomoda mto e eu não aceito, sabe? Continuo na briga pela educação!
Bjos,
Camila

Marcia Pergameni disse...

Bom demais hein!! Olha eu fico irritadíssima com algumas propagandas. Cecília pede tudo o que ve nos comerciais do DK até o carro.... Mas asapatinho questão do sapatinho com salto. Esse aí me irrita. Minha mãe prometeu a Cissa dar um a ela. E eu disse pra minha mãe: não. Elça disse que por ela já teria dado, que deu pra outra neta qdo tinha anos. E eu falei não. Agora toda vez que passamos perto de alguma loja de sapatos a Cecilia entra doida e pede logo qual?? o de salto. e ela fala qdo eu for gandi né mamãe? Mas eu quero a vovó falou que vai me dar. E eu respondo, quando você for grande vai poder usar. Existe o conflito, mas estamos atentas. educar é a melhor opção mesmo.
bjus

Rô! - @robertarez disse...

Acho que comentei sobre isso por aqui, mas não tenho certeza. Sou publicitária e sempre fui contra a total proibição da propaganda infantil.

Acredito que tenha sim muita falta de ética e que os profissionais que trabalham com esse tipo de propaganda deveriam pensar muito bem duzentas vezes mais antes de finalizar um material. Mas para isso, existe o CONAR, se alguém se sente ofendido ou acha anti-ética uma propaganda pode recorrer a esse órgão. (Claro que não me iludo achando que funciona as mil maravilhas, mas se é a ferramenta que temos em mãos, vamos usar, né?)

Meu ponto de vista é parecido com o seu, acredito que não podemos simplesmente proibir por dois motivos. O primeiro é que são essas propagandas que sustentam os canais e as revistas infantis, sem elas não haveria aquele canal (a questão da qualidade do canal e da programação fica a critério de cada um, tem sempre o botão de mudar e o liga/desliga, né?). O segundo é que acredito que se a criança não é educada a distinguir entre comercial e programa, se não sabe que o comercial é só povo querendo vender e tals, quando ela chegar na idade em que pode ter comerciais, ela continuará sem saber distinguir (não estou falando de crianças de 1 ano, né, gente?).

O consumo consciente é muito mais questão de educação e ver exemplos saudáveis do que qualquer outra coisa. As crianças que conheço que são consumistas tem exemplos assim em casa. E vale ver o nosso próprio exemplo, tenho 22 então peguei uma boa parte de propagandas infantis na tv, barbies, bonecas, todo tipo de brinquedo, e nunca fiquei desesperada por não ter algo, nem sou uma consumista louca hoje em dia.

A propaganda é um dos problemas, e não adianta proibir só uma faceta.

(Opinião profissional e teórica de uma grávida que se permite o direito de mudar de opinião quando o bebê tiver maior e eu também poder analisar na prática! rs)

Meg disse...

Boa, Camila!
Educação e limite começam dentro de casa.Ponto.Estamos criando cidadões éticos pra um mundo (espero) melhor.Bjus Meg Lima

Roberta "Mimi" disse...

Camila, excelente reflexão em cada parágrafo.
Meus filhos não assitem canal aberto, nem novela, e nem jornal. Assistem um pouco de Discovery Kids, Disney Jr e poucas programações do canal RaTimBum, além de DVDs que controlo a risca.
Eu acho que devemos educá-los e dizer o que achamos certo e errado, assim como pais temos que ter autoridade de permitir ou não algo.
Sinceramente não acho que com 2 anos e 4 meses (no caso dos meus filhos) eles tenham tanto discernimento para saber se algumas coisas são certas ou erradas, por isso eu como mãe uso bastante o botão de liga/ desliga, não só pelo conteúdo, mas pelo tempo que eles ficam em frente a uma TV, afinal, crianças tem que brincar.
Pelo fato deles ainda não irem para a escolinha (mas fazem outras atividades fora de casa) ainda não tem contato tanto contato com "Ben 10" e afins, mas sei que será inevitável, aí sim nós pais teremos que ter a sabedoria para orientá-los se o que eles estão vendo é bom ou não.
Eles ainda curtem "Meg, a gatinha", "Rob, o robô", "Baby TV". Não é porque todos assistem DVDs de princesas da Disney que os meus também tem que ver com essa idade. A Disney vende também muita violência, bruxaria, maldades, que acho que é muita informação para a cabecinha deles.
Tudo a seu tempo. Quando nós (eu e meu marido) acharmos que eles tem mais maturidade, vamos liberando aos poucos outros DVDs, programações na TV e cinema, mas sempre atentos ao conteúdo e tempo.
Os pais tem mais poder do que imaginam, depende muito também da coragem para ensinar os filhos a fazer diferença neste mundo.
Não sou puritana e proibitiva em tudo, compro também brinquedos "mais comerciais" para meus filhos, e TENTO equilibrar o consumismo infantil.
Acho que deveria ter leis mais rígidas quanto ao conteúdo e tempo das propagandas, como existem em alguns países.
Enfim, realmente a responsabilidade final fica por conta dos pais.
Beijo,
Roberta, mãe dos gêmeos Rute e Miguel

Muito Criança disse...

Cá as vz venho aqui leio e não comento, pois não caberia aqui tudo que tenho a dizer. Venho sempre minha linda leio e concordo com quase tudo que escreve.
Mas hoje tenho um time e quero sim deixar minha opinião.
Acho que desde quando comecei com os blogs, percebi que há sim muitas pessoas iguais, com os mesmos princípios e pensamentos. Eu nunca dei, nem mostrei e muito menos apontei a Barbie pra minha linda. Ela ja ganhou 2....????
Detesto a XUXA, ai que delícia poder dividir isso com alguém. Tem gente que não gosta que fala mau dela e nem do tonto do Chaves. Porém o primo dela mes passado, trouxe todos os DVDs dele de quando ele era menor. Veio da Xuxa, do Chaves e sei lá mais o que. Percebi que ela não deu muita trela pra nenhum deles, UFA!!!
Mas é bem como vc disse, fora de casa eles vão ver, ou ouvir falar.
As propagandas são uma lavagem celebral, com certeza. Aqui em casa era Discovery, agora é aquele Disney Junior, sabe?! Confesso que tem muita propaganda por lá,sim. Ela começou a pedir todos. Ai conversei com ela que não dá pra ter tudo, apenas um da mamãe no dia da criança. Escolha apenas um e espere o dia de ganhar. Expliquei que ninguém, nenhuma criança consegue ter tudo. Pois tanto a criança quanto a mamãe tem que juntar dinheiro para comprar apenas um deles. Ca acho que tendo grana ou não esses valores tornam nossas crianças mais sábias. MC é muito rápida e aprende as coisas rápido. Só tenho que agradecer. Agora ela olha essas propagandas e diz, o presente do dia das crianças eu já escolhi, né mamãe?!
Bom a gente fica com aquela dozinha, mas sabemos que essa é a coisa certa a fazer. Ela é filha única, Cá, ai o cuidado é dobrado. Se não estraga, como diziam nossos avós. Um super beijo. Paty agora mais aqui no Muito Criança

Bianca disse...

Camila, achei o post excelente e concordo com você. Vc sabe que eu já ouvi dizer que no CN tem muito mais propaganda do que o DK pois as crianças na idade DK ainda não sabem pedir (mesmo que seja por pouco tempo) enquanto o pessoal do CN já pede com todas as letras.Por aqui eu vou levando, ele assiste e eu explico. Ele nem pede muito, as vezes só mostra "mãe, de Natal acho que vou querer esse", e vamos levando.. Explicações difíceis que temos que encarar, né?
beijos e Parabéns

Ana disse...

Super concordo com a Mari-viciados em colo.
Acho que brigar pela educação é ilusão.
Acho que isso é uma bandeira pra muita gente continuar ganhando dinheiro, ao meu ver inescrupulosamente. Isso é o que eu acho e respeito o que vc acha também.
Cada um tem seu papel, pais, escola, estado. Só que um anda empurrando a bola pro outro, e quem está perdendo não são os nossos filhos que estão sendo orientados. São os filhos que a Mari citou no comment dela.

Bjo!

Luciana disse...

Oi Camila,
Esses tempos notei que os desenhos que víamos eram péssimos, violentos, e até meio esquisofrenicos... isso não moldou meu caráter, quem o fez forammilhoes de coisas que aconteceram na vida e que, em sua maioria tiveram fortes indicativos dos meus pais. Posso dizer? Acho que toda essa frescura em função das crianças é exagerada... deixem o Huck, o Coisa, o Homem aranha e o Ben 10 em paz! A sensação que tenho é que quem critica as propagandas, os desenhos violentos, está com preguiça de exercer a paternidade. Dizer não zilhoes de vezes faz parte disso!
Ahhhh não fiquem pensando que estou falendo pq não sou mae pq tenho 4 afilhados que me ensinaram muito e um filho de babar!

ERICA BOSI disse...

Sobre as propagandas eu não tenho opinião formada, mas sobre educação acredito que deve ser reflexiva e e firme, ou seja, antes de tudo é preciso pensar claramente sobre o que queremos ensinar e depois, é preciso não ceder às influências externas, como a mídia ou pirraças.
Eu adoro os DVDs Xuxa só para baixinhos, são educativos e voltados para crianças, mas tem alguns Dvds ou desenhos que não deixo assistir de jeito nenhum, como o Snoop e Charles.

Anne disse...

Pãtz! Cá, discordamos novamente... em partes.
Jamais tiro tua razão quando diz que educar está em primeiro, e entendoo seu ponto de vista em achar que essa regulamentação pode soar autoritária, ou até censura... maaasss....
Para mim o crivo está em: quem consome? O adulto ou a criança?
Eles não devem ser lavo de propaganda, porque não tem estrutura para isso. Não podem entender como nós, o que eles realmente precisam, oque está sendo vendido para eles, misturado com desejos e fantasias infantis.
Vamos combinar, eles são bobinhos!! :)
Quem consome é o adulto, quem regulamenta é o adulto, o alvo de qualquer propaganda tem que ser o adulto!

E não é porque o pior dos problemas é a criança ficar pedindo uma coisa que viu na TV.
O pior dos problemas é de cunho social, é muit maior que o meu ou os seus filhos.
É uma horda de filhos de mulheres com menos tempo ou instrução para acompanhar esses desejos, essas influências... e tb sem dinheiro para decidir se querem ou não comprar aquilo para os filhos!
É uma horda de crianças crescendo na ilusão de que felicidade se compra, amor se compra, beleza se compra e o pior SABENDO que eles não podem comprar. É gente inocente sendo golpeada diariamente em sua auto estima - muito perto do risco de subtrair de alguém, para poder ter.
É um problema social, enorme.
Eu sou contra publicidade para crianças sim. Não sou militante, mas essa é minha opinião e espero que todos esses movimentos avancem com força para que um dia isso tudo seja regulamentado e proibido inclusive os brindes do Mc.
bjos

ERICA BOSI disse...

Como disse anteriormente, não tenho uma opinião formada sobre o assunto, porque para explô-la aqui, seria preciso pesquisar os argumentos de ambos os lados. Mas sobre a interferência do estado, concordei muito com a lei que proíbe agressões físicas.

Luciana - Descobertas disse...

Jura que tu odeia a Xuxa e o Chaves? O que vc assistia qdo era pequena? Só por curiosidade?


Bom, adorei seu post acho que essa mesma linha de raciocínio serve para outras situações em que existe algum tipo de imposição de opinião? E´engraçado isso, como normalmente querem protestar sobre algo impondo outro algo né!

Bjos

Luana Honório Ferreira disse...

Olha Camila eu concordo e discordo, rs discordo pelos motivos da Mari (viciados) maioria que vive no brasil não tem condições de ensinar seus filhos o certo x errado, porque eles mesmo não sabem ou não pensam sobre, e ainda trabalham dia todo! e a criançada acaba sendo muito influenciada pela midia (que é a baba desse seculo). Mas o que realmente deveria ser feito é educar essas pessoas, porque a publicidade vai achar outro jeito de vender independente de proibições, então não sei se resolvi muito! O que eu acho que deveri proibir é meninas pequenos fazendo propaganda de bikini em posições sensuais ai já é apelação, na opiniao chega a ser abuso!
bjs

Dani disse...

Camila penso como vc: proibir televisão é muito fácil. Difícil mesmo é educar, informar que não precisamos daqueles produtos e que existem infinitas opções melhores. Concordo tb, que devemos sim, limitar programas em que aceitamos o teor.
E discordo quando vc fala que o Estado não deveria intervir. A Mari foi em cima e a Anne tb fez uma ótima reflexão sobre tudo.

Pensamos como classe média, mas devemos estender um pouco a grande massa. Das mães trabalhoras que saem de manhã e voltam a noite. Não falo em censura, mas em regulamentação. Publicitário deve entender que nesse jogo, não vale tudo.

Beijo

Nutricionista Infantil Karine N. C. Durães disse...

Olá!

Os apelos são para organizar as publicidades. Na maioria da Europa as propagandas são "organizadas" (limite de horário, etc). No Brasil tudo é livre. Acredito que as possibilidades de limite são pensando na população em geral. Você é uma mãe que tem a possibilidade de educar bem seus filhos. Mas existem mães que tem necessariamente que ficar fora o dia todo e deixam seus filhos aos cuidados da Tv. Essas mães estão corretas? Não. Mas as crianças tem culpa disso?
Quando exigimos mudanças nas leis, precisamos pensar na população como um todo, e não no individual.
Podemos educar o máximo possível, mas a condição externa sempre é complicada.
Uma criança de até 6 anos, a mãe é seu centro de referência. Daí a facilidade da criança assimilar as coisas que a mãe diz como 100% corretas. Quando passam para a idade escolar vão questionar esses fatos.
Imagine, sou nutricionista especializada em pediatria, minha filha tem uma alimentação saudável desde sempre, super bem educada neste quesito, e hoje, com 11 anos de idade, vem me pedir as balas Finn, por conta do comercial( acabei de escrever um post sobre isso)
Acredito que é necessário, sim, colocar limites nestas publicidades desenfreadas.
Quanto ao quesito erotização precoce, sabia que não encontro sutian sem bojo para a minha filha de 11 anos? Tem gente que dirá que é normal o sutian com bojo, que a criança não sabe o que é. E eu questiono: para que usamos o bojo no sutiã? Para deixar nossos seios mais bonitos e harmoniosos, para ficarmos sexy. Por que queremos uma criança de 11 anos sexy?
Aliás, se alguém me indicar um local para comprar sutiã para crianças sem bojo, agradeço.
Tudo isso é motivo de polêmicas e diacórdias!
Será coincidência nossas meninas menstruarem tão cedo? Minha filha é uma das únicas a ainda não menstruar na turma dela. E também é a única a não usar sutiã com bojo, sapato de salto, maquiagem...
Sempre é bom termos a possibilidade de conversarmos sobre isso!
Beijos

 
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